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A Morte do Leiteiro, baseado no poema Morte do leiteiro, de Carlos Drummond de Andrade - VÍDEO


A Morte do Leiteiro, baseado no poema Morte do leiteiro

de Carlos Drummond de Andrade - VÍDEO


Carlos Drummond de Andrade





A Morte do Leiteiro




Trecho do Roteiro de Danielle Rezera

LEITEIRO

O quê?... Não entendo... O que aconteceu? (PAUSA LONGA) Saí às 3h da manhã de casa para trabalhar... Às 4h, já estava na bicicleta entregando o leite na casa de gente bacana que pode pagar... Com tanto trabalho, não consegui estudar para a prova de ontem... Estou exausto... (Pensa na mãe) Minha mãe, será que ela vai saber que não fiz nada?... Quem vai saber, se eu mesmo nem sei o que aconteceu aqui?


Morte do leiteiro [Carlos Drummond de Andrade]

 

Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.

Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.

 

Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.

 

E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro…
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.

 

Meu leiteiro tão sutil,
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.

 

Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.

 

Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.

Quem quiser que chame médico,
Polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.

 

Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue… não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.

 

ANDRADE, Carlos Drummond de. A Rosa do Povo. Rio de Janeiro: Record, 1945.

 

 

 

NOTA

Curta-metragem de até 3 minutos.

Trabalho apresentado à disciplina de Prática de Fotografia, como requisito parcial de avaliação, sob orientação do professor Fábio Tanaka, do CAV – Centro de Audiovisual de São Bernardo do Campo.



FICHA TÉCNICA

Roteiro                           Danielle Rezera

Direção                          Agenor Bevilacqua

Direção de Fotografia   Diego Fernandes

 

Elenco

Leiteiro                          Alegretti

Leiteiro substituto         Alegretti

Proprietário                   João Miguel

Policial                          Vlademir Gomes

Pastor                            Cassiano Basaglia

 

Assistente de Direção   Isadora Cavalcante

                                      Isabel Peron

Direção de Arte             Izabella Gonçalves

Assistente de Arte         Danielle Rezera

Fotografia                      Cindy Lima

Assistente de Câmera   Isabel Peron

Gaffer                            Victor Douglas

                                      Gabriela Castioni

Som direto                     Isadora Teixeira

                                      Victor Douglas

                                      Verônyca Letícia Souto Martins

Maquiagem e Figurino Larissa Duarte

Logger                           Cindy Lima

Edição                           Diego Fernandes

                                      Agenor Bevilacqua

                                      Isabel Peron

 

Músicas                         A Internacional

                                      Letra: Eugène Pottier

                                      Melodia: Pierre De Geyter

 

                                      Bella Ciao

                                      Autoria anônima

 


Confira também:

Proposta de releitura de O três de maio de 1808 em Madrid, de Francisco de Goya. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho




Aqualtune, a princesa guerreira – Contação de história

 

Aqualtune, a princesa guerreira – Contação de história



Aqualtune, a princesa guerreira:
a luta pela liberdade.


 

Resumo

A trajetória de Aqualtune, a princesa guerreira líder da rebelião dos cativos no século XVII, produziu formas de resistência para que seus semelhantes deixassem de ser explorados e lutassem por vida digna nos refúgios quilombolas. Avó de Zumbi dos Palmares, ela representa a luta pela liberdade.

 

Sinopse

Aqualtune, a princesa guerreira é uma contação de história infantojuvenil inspirada no livro homônimo (no prelo) de Danielle Rezera (doutora em Educação pela Unifesp) e dirigida pelo dramaturgo Agenor Bevilacqua Sobrinho. Propõe-se a dialogar com o público infantojuvenil sobre o valor da liberdade e como, na História brasileira, ela foi subtraída das classes trabalhadoras, em especial dos pretos. Estes foram trazidos do continente africano e escravizados, convertidos em mercadoria e tratados selvagemente, de maneira desapiedada e sem escrúpulos. Sem descurar da ludicidade, é fundamental não escamotear tais problemas dos mais jovens. Nesse sentido, é importante recuperar a trajetória de Aqualtune, a princesa guerreira líder da rebelião dos cativos no século XVII, produziu formas de resistência para que seus semelhantes deixassem de ser explorados e lutassem por vida digna nos refúgios quilombolas. Avó de Zumbi dos Palmares, ela representa a luta pela liberdade.

 

Contação de história: Aqualtune, a princesa guerreira

 

Texto: Danielle Rezera

Dramaturgia e Direção: Agenor Bevilacqua Sobrinho

Atores:  Agenor Bevilacqua Sobrinho e Leandro Lago

Faixa etária: 6 a 12 anos

Grupo: Cia. Fagulha, da Cooperativa Paulista de Teatro

 

 

CEUs - Centros Educacionais Unificados

Paraisópolis - 14/05/2024, 10h

Parelheiros - 16/05/2024, 10h

Freguesia do Ó - 17/05/2024, 10h

São Mateus - 21/05/2024, 10h

Parque Veredas - 21/05/2024, 15h

São Rafael - 23/05/2024, 10h

Arthur Alvim - 24/05/2024, 10h

José Bonifácio - 28/05/2024, 10h

Tiquatira - 28/05/2024, 15h

 

https://www.ciafagulha.com.br/

 


Dia Internacional da Mulher – 8 de março. Por Danielle Rezera

 

Dia Internacional da Mulher – 8 de março. Por Danielle Rezera


Simone Weil disse que a liberdade é a consciência das opressões que vivemos.

A liberdade é de fato agir, ser, intervir, vincular-se. A liberdade exige uma responsabilidade conosco e com os demais, é generosidade genuína pois é atenção-ação. Nesse sentido, Maria Firmirno dos Reis também nos incita a refletir que a liberdade dos oprimidos se dá ao reconhecer a condição e a força desumanizadora que cria as mercadorias humanas, só assim para não confundir liberdade com o direito de troca de cativeiro por outro cativeiro, seja qual for. 

Eliane Potiguara também nos ensina que a partir da dignidade é que construímos o bonito da vida, é pela dignidade dentro de nós que podemos lutar pela dignidade em torno de nós, é por ela que podemos florir no meio do ódio e construir e abrir portas. Talvez as portas daquilo que Clarice Lispector chama de purificação e libertação, algo ainda maior que a pureza e a liberdade. Algo mais forte que possa nos fazer sentir vivas e vivos, que nos faz saber que perder-se também é caminho, pois daí nos salvamos de falsos acertos e reconhecemos o que não prevíamos descobrir e que pode ser o essencial de nós.

Li outro dia a Maria Teresa Leon: “é difícil ser velha (…) a mim me dá medo que chegue um dia e ninguém mais me enxergue”. Clarice falou que quando ficasse sozinha (depois de cumprir suas “funções” na vida), estaria seguindo o destino de todas as mulheres. O que me faz pensar que talvez seja esse um preço muito alto que pagam todas aquelas que mais cuidam do que são cuidadas, que são confundidas com fortes por serem corajosas diante da tormenta que enfrentam cotidianamente para garantir seu pão e o pão, a vida, a alegria e a dignidade de outros.

Assim, espero que possamos neste “dia” da mulher, refletir sobre tantos passos que nos sucederam imersos em atrozes adversidades e desumanidades, tantos joelhos cansados e fraturados com a dor do mundo e que ainda foram para roda celebrar a vida e compartilhar o amor e alegria.

Mostrando que a lida nesta vida é uma arte cotidiana que visa a liberdade como libertação, como voz que ressoa por centenas de tempos e nos acode, nos sacode, nos inspira. E derrama em nós a responsabilidade que temos conosco e com a humanidade que temos e com a que vem.

Acredito que isso é realmente nossa função fértil e nossa contribuição para ser e ter dignidade, liberdade e libertação.

Neste dia da mulher, lembremos Kollontai, ao dizer que esta data é a celebração de um projeto de união, de elevação da consciência da classe trabalhadora para as condições de vida e de luta para um futuro melhor para todos.

 

 Danielle Rezera


16 de julho - 52 anos da morte de Oduvaldo Vianna Filho, dramaturgo fundamental do teatro brasileiro no século XX. Por Maria Sílvia Betti

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