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Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #13 - 07 de dezembro de 2025 - domingo, às 20h - Cia. Fagulha


Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #13

07 de dezembro de 2025 - domingo, às 20h

Cia. Fagulha

 



Conjuntura, Arte e Cultura #13

 

 

Programa da Cia. Fagulha

AO VIVO: Domingo, às 20h.

Programa #13

07/12/2025

 

 

Agenor Bevilacqua e Êça Pereira

conversam sobre conjuntura, arte e cultura (no Brasil e no mundo)

 

 

 

CONJUNTURA

 

Mundo

 

1. Guerra na Ucrânia: negociação direta entre EUA e Rússia

 

2. As encruzilhadas da América Latina: Derrota do buquelismo no Equador, avanço da direita no Chile e EUA no Caribe.

 

 

Brasil

 

1. Congresso avança sobre áreas de atuação do Executivo

 

 

 

ARTE E CULTURA

 

É assim que me querem (1996)

Composição: Edgard Scandurra

Banda: Ira!

 

É assim que me querem

Estou sonhando de olhos abertos
Estou fugindo da realidade
Todas as cervejas já bebi
Todos os baseados já fumei

E o que há de errado no mundo
Meus olhos já não podem ver
Eu estou do jeito certo
Pra qualquer compromisso assumir

Assim que me querem
Sem que possa pensar
Sem que possa lutar
Por um ideal

É assim que me querem
Ao ver na TV
Todo o sangue jorrar
E ainda aprovar

A pena capital
A pena capital

Estou sonhando de olhos abertos
Estou fugindo da realidade
Todas as cervejas já bebi
Todos os baseados já fumei

E o que há de errado no mundo
Meus olhos já não podem ver
Eu estou do jeito certo
Pra qualquer compromisso assumir

É assim que me querem
Sem que possa pensar
Sem que possa lutar
Por um ideal

É assim que me querem
Ao ver na TV
Todo o sangue jorrar
E ainda aprovar

A pena capital
A pena capital

É assim que me querem
Assim que me querem, ooh

E me vendem essa droga
E me proíbem essa droga
Para os desavisados
Poderem pensar
Que o governo combate

Invadindo a favela
Empunhando fuzis
Juntando dinheiro corrupto
Para a platina no nariz

É assim que me querem
Sem que possa pensar
Sem que possa lutar
Por um ideal

É assim que me querem
Ao ver na TV
Todo o sangue jorrar
E ainda aprovar

A pena capital
A pena capital

É assim que me querem
Assim que me querem, ooh

Assim que me querem
É assim que me querem
Assim que me querem
Assim que me querem

Assim que me querem
Assim que me querem, eu sei
Assim que me querem
Assim que me querem, yeah

 

 

 

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Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #12

 

Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #11

 

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Conjuntura, Arte e Cultura – Programa #8

 

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Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #5

 

Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #4

 

Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #3

 

Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #2

 

Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #1



Os Estados Unidos, a Europa e o “caso Groenlândia”. Por Flávio Aguiar

 Os Estados Unidos, a Europa e o “caso Groenlândia”. Por Flávio Aguiar



Reação à cobiça do império


Os Estados Unidos, a Europa e o “caso Groenlândia”. Flavio Aguiar “Yankees go home”, dizia a faixa em frente ao consulado dos Estados Unidos. Erguida por um grupo de manifestantes, ela definia o espírito político do evento. O grupo não era muito grande, mas também não era pequeno. E estavam visivelmente irados.

 Não, não se trata dos anos 60 do século passado, nem de uma cidade latino-americana. Os irados manifestantes eram cidadãos dinamarqueses, pertencentes à União Europeia. O local era Nuuk, a capital da Groenlândia, e o grupo protestava contra a futura visita do vice-presidente norte-americano, James David Vance, a uma base militar e aeroespacial dos Estados Unidos em seu território.

A visita, que se realizou na sexta-feira da semana passada, 28 de março, coroou uma série de atritos diplomáticos envolvendo a Washington de Donald Trump, o governo de Copenhague e o governo do território autônomo da Groenlândia, que faz parte da Dinamarca. Durante a estada na base, Vance fez um pronunciamento reafirmando o interesse de Washington na ilha e desqualificando o governo dinamarquês, acusando-o de negligência em relação aos habitantes dela.

Dias antes da visita, o presidente Trump já apimentara os atritos, reiterando mais uma vez que os Estados Unidos “tomarão” a Groenlândia, de um jeito ou de outro.

Afinal, o que é a Groenlândia? Para começo de conversa, ela é uma das maiores ilhas do globo terrestre, e também a mais gelada. Situada entre o círculo polar e o próprio Polo Norte, a maior parte de seu território passa quase o ano inteiro sob temperaturas negativas extremas e por vários meses com direito a meia hora de luz por dia, quando muito. Tem pouco menos de 60 mil habitantes, na maior parte da etnia e cultura Inuite, também chamados de esquimós, palavra que eles consideram pejorativa.

Acontece que a ilha é rica em minérios, gás e petróleo. Tem uma posição estratégica entre os continentes europeu e norte-americano, e o oceano Ártico, sendo que do outro lado deste está nada mais nada menos do que a Rússia, a antiga União Soviética, no passado a arqui-inimiga do capitalismo do Bloco Ocidental liderado pelos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Os Inuites e outros povos da região a ocuparam desde séculos antes da era cristã. A partir do século X desta era ela passou a ser visitada regularmente por europeus, e terminou como posse dos reinos unidos da Noruega e da Dinamarca. Quando estes se separaram, no século XIX, ela ficou com a Dinamarca que, depois da Segunda Guerra, lhe deu o status de território autônomo, embora a sua moeda seja a coroa dinamarquesa e seu rei, o da Dinamarca, hoje o sorridente Frederico X. E tanto no final do século XIX como em meados do século XX os Estados Unidos já pensaram em comprar a ilha. Hoje Trump ameaça ocupá-la, se não conseguir comprá-la.

O fato é que as ameaças de Trump provocaram reações negativas tanto por parte de Copenhague quanto por parte dos groenlandeses, ciosos de sua autonomia.

Vance e sua esposa planejavam fazer uma visita oficial e ampla à ilha, acompanhados por uma comitiva de secretários de estado. Diante da reação negativa e do risco de manifestações hostis nas ruas, o casal encolheu a visita, limitando-a à base norte-americana de Pituffik, no extremo norte da ilha.

O interesse dos Estados Unidos é tanto econômico quanto militar. Consideram a ilha estratégica para detectar ameaças que venham pelo Ártico. O interesse econômico cresce com o aquecimento global, que deve facilitar a navegação com a redução da calota de gelo.

Mas para os groenlandeses uma ocupação sob Trump seria um desastre. Afinal, nos Estados Unidos de hoje eles seriam considerados como “índios”, ao invés de cidadãos como os outros, apesar das promessas de Vance em contrário.

Além disto, a Groenlândia tem uma legislação considerada avançadíssima em matéria de direitos humanos, sobretudo em relação a pessoas não heterossexuais, o que Trump abomina e detesta.

Consta que ao descer na base, Vance declarou algo assim: “God, it’s cold like shit”, o que equivale a dizer “Meu Deus, está um frio do cão”, numa tradução amena. Não se sabe se ele se referia apenas à temperatura ou também à recepção gelada por parte dos cidadãos da Groenlândia.

 

*Flávio Aguiar, jornalista e escritor, é professor aposentado de literatura brasileira na USP. Autor, entre outros livros, de Crônicas do mundo ao revés (Boitempo). [https://amzn.to/48UDikx]

 

 

 

 

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A Europa se prepara para a guerra. Por Flávio Aguiar

  

A Europa se prepara para a guerra. Por Flávio Aguiar


A guerra como grande negócio.

 

Há sinais de fumaça no horizonte de que os países europeus preparam-se para a guerra. Que guerra? Contra a Rússia.

Tomemos a Alemanha como exemplo.

Primeiro exemplo: a Volkswagen, empresa que há quase um século está vinculada à identidade nacional alemã, vai fechar 3 de suas fábricas, devido à crise econômica que assola o país e o continente. Mas há uma empresa interessada na compra das 3. Qual? a Rheinmetall, uma das principais produtoras de armamentos na Alemanha. Por quê? Porque seus diretores prevêem uma margem de lucro considerável, graças ao anúncio, por parte da presidenta da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, de que a União vai investir 800 bilhões de euros em armamentos para incrementar a defesa do continente.

Exemplo 2: paradoxalmente, o diretor de uma das agências do serviço secreto alemão, Bruno Kahl, do Bundesnachrichtendienst, manifestou, em entrevista à Deutsche Welle, em 03/03/2025, a preocupação com a possibilidade de que a guerra na Ucrânia tenha um “fim rápido”. Por quê? Segundo ele, porque isto liberaria a Rússia para ameaçar o restante da Europa antes de 2029 ou 2030, isto é, antes de que os outros países do continente estejam preparados para enfrentar o “inimigo”. A afirmativa, que provocou indignação em Kiev, mostra que há uma estratégia pensada a respeito da possibilidade e previsão da guerra.

E a indústria da guerra parece ser um dos vetores mais importantes para a recuperação econômica da Alemanha e do continente.

A Alemanha ocupa o quinto lugar entre os maiores exportadores de armas do mundo. São eles, em ordem crescente, segundo o Instituto Internacional de Investigação para a Paz, sediado em Estocolmo: Israel, Coreia do Sul, Espanha, Reino Unido, Alemanha, China, França e Rússia praticamente empatadas, e Estados Unidos.

Há duas enormes discrepâncias entre estes países. Primeira: de Israel à China, o percentual de participação nas exportações mundiais de armas fica em um dígito, de 1 a 5%. Com Rússia e França, o índice dá um salto, para 10,5 e 10,9%, respectivamente, sendo que a França superou a Rússia porque as exportações desta caíram, graças à guerra com a Ucrânia e os aliados que a apoiam.

Com os Estados Unidos, o salto é maior ainda: o índice de sua participação é de 40% do mercado mundial.

Segunda discrepância: nos últimos dez anos o valor destas exportações caiu, em oito dos dez países. As duas grandes exceções são a França e os Estados Unidos. No caso destes, o aumento foi de 24%.

Das 100 maiores empresas privadas de produção de armamentos, 41 são norte-americanas, e 27 europeias, excluindo-se a Rússia, que tem apenas 2 empresas entre elas. Invertendo-se a perspectiva, verifica-se que o país que mais importa armas no mundo é a Ucrânia, com quase 9% do setor. E seus principais fornecedores são os Estados Unidos, a Alemanha e a Polônia.

Assinale-se uma curiosidade: nenhum país da América Latina figura entre os principais exportadores ou importadores de armas.

Aqueles números acima mostram que, como no passado, infelizmente a guerra ou sua perspectiva permanecem sendo um bom negócio para afastar o fantasma de recessões econômicas para quem produza armas, não para quem suporte seus efeitos.

Como afirmei no começo, há sinais de fumaça no horizonte apontando na direção de uma guerra. Sabe-se que onde há fumaça, há fogo. Sempre que os países da Europa prepararam-se para uma guerra, a guerra aconteceu. E este continente propiciou as duas guerras que em toda a história humana ganharam o triste título de “mundiais”.

 

 

Flávio Aguiar, jornalista e escritor, é professor aposentado de literatura brasileira na USP. Autor, entre outros livros, de Crônicas do mundo ao revés (Boitempo). [https://amzn.to/48UDikx]

 

 

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A implosão do Bloco Ocidental. Por Flávio Aguiar

 

A implosão do Bloco Ocidental. Por Flávio Aguiar

 

União europeia e a ameaça da irrelevância geopolítica.

 

Os efeitos da tsunami política gerada pelo catastrófico encontro no Salão Oval da Casa Branca entre os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Volodimyr Zelensky, da Ucrânia, mais o vice norte-americano James David Vance, podem ir muito além da guerra russo-ucraniana. Um destes efeitos pode ser o naufrágio geopolítico da chamada Europa Ocidental.

Comecemos pelo começo. A Europa é tida e lida como o berço das chamadas Cultura e Civilização Ocidentais, desde os tempos da Grécia e da Roma antigas.

Um dos derivados contemporâneos destes conceitos foi o Bloco Ocidental, criado depois do fim da Segunda Guerra Mundial, liderado pelos Estados Unidos e constituído por seus aliados na Europa Ocidental, o Canadá, e, na sua franja distante, por países como Austrália, Nova Zelândia, a China Nacionalista (Taiwan) e, de certo modo, até pelo ex-inimigo Japão.

O Bloco Ocidental confrontava o Mundo Comunista, formado pela hoje extinta União Soviética (URSS) e seus satélites no Leste Europeu, a República Popular da China, o Vietnã do Norte, que acabou incorporando seu co-irmão do Sul em 1975, Cuba a partir de 1959, mais alguns países comunistas, como a hoje também extinta Iugoslávia, a Romênia e a Albânia, que não eram satélites da URSS. Os demais países, na América Latina, na África, na Ásia e na Oceania eram “áreas em disputa”, com forças políticas pendendo para um ou outro lado.

Este Bloco Ocidental tinha e tem um braço armado, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que confrontava o Pacto de Varsóvia, liderado pela URSS. Com a extinção desta, em 1991, o Bloco Ocidental ampliou sua influência para o Leste Europeu. A OTAN estendeu o alcance de sua ação, tornando-se uma espécie de força policial atuante em conflitos como nos Bálcãs Europeus, no Norte da África e até no Oriente Médio. Por fim, passou a ter por alvo a Federação Russa, que herdou da URSS o maior arsenal nuclear mundial. Economicamente, o Bloco passou a enfrentar também o crescente poderio da China Comunista e sua influência em escala mundial.  

Paralelamente, a Europa viu a emergência e ampliação da União Europeia, sob a liderança de países da Europa Ocidental, como Alemanha, França e Itália, uma promessa de paz e prosperidade num continente martirizado e destruído por duas guerras mundiais no século XX.

O cartão de visitas do Bloco Ocidental compreendia o regime capitalista, a democracia eleitoral, a liberdade cultural e nos costumes sociais, e muitas vezes a proteção econômica da social-democracia europeia. É verdade que nem sempre este cartão correspondia à realidade, dado que os Estados Unidos e seus aliados seguidamente patrocinaram, apoiaram ou conviveram comodamente com ditaduras sanguinárias na América Latina, na África, na Ásia e na Oceania.

Mais recentemente os Estados Unidos e seus aliados se empenharam no apoio ao governo da Ucrânia contra a invasão russa.

Mas o encontro da sexta-feira no Salão Oval foi a demonstração de como o Bloco está mudando sua natureza, para dizer o mínimo. Ele não tem mais uma liderança; tem um patrão, Donald Trump, assessorado por um feitor, JD Vance. Dedo em riste, o patrão dita o que os seus ex-aliados, hoje súditos, devem ou não pensar, sentir e fazer. A estes cabe abaixar as orelhas e obedecer às ordens.

Surpresa? Nem tanto. Afinal, aquele patrão vem se comportando como os antigos reis europeus ao tempo das grandes navegações. Quer anexar territórios, comprando-os ou ocupando-os, nomear e renomear acidentes geográficos, criar balneários de luxo em terras devastadas por seus auxiliares, como em Gaza, e agora obter concessões comerciais e econômicas explorando as terras raras da Ucrânia como pagamento pelos serviços militares a ela prestados. 

Quanto ao Zelensky, ficou pendurado no pincel da guerra que está destruindo seu país, com as promessas de apoio por parte de uma União Europeia enfraquecida, acossada por sua extrema direita insuflada por uma das big techs, a de Elon Musk, que apoiam o novo monarca absoluto de Washington. Uma União que vê-se ameaçada de afogar-se no redemoinho da irrelevância geopolítica.

Este é o novo “design” projetado pelo monarca absoluto da Casa Branca para o antigo Bloco Ocidental, que pode transformar-se em algo parecido com o cercadinho onde um hoje ex-presidente também autoritário fazia prédicas para seus fãs e crentes.

 

Flávio Aguiar, jornalista e escritor, é professor aposentado de literatura brasileira na USP. Autor, entre outros livros, de Crônicas do mundo ao revés (Boitempo). [https://amzn.to/48UDikx]

 

 

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A Europa prepara-se para a guerra. Por Flávio Aguiar

 

A Europa prepara-se para a guerra. Por Flávio Aguiar

26/11/2024




Um autêntico calafrio percorreu toda a Europa na semana passada. Noticiou-se com destaque que os governos da Suécia e da Finlândia divulgaram para seus cidadãos manuais sobre como proceder no caso de uma guerra contra terceiros.

O governo sueco distribuiu pelo correio uma brochura de 32 páginas. O finlandês disponibilizou uma publicação online.

Embora o nome não aparecesse, era óbvio que se tratava de uma guerra com a Rússia. A Suécia não tem uma fronteira terrestre com a Rússia. Há uma fronteira marítima entre ela e o enclave russo de Kaliningrado, espremido entre o Mar Báltico, a Lituânia e a Polônia. A Finlândia tem uma fronteira terrestre com a Rússia de 1.343 km. Ambas mensagens abordam outras crises, como a ocorrência de pandemias, desastres naturais e ataques terroristas. Mas o destaque no noticiário foi para a guerra, graças à existência do conflito direto entre a Rússia e a Ucrânia, que tem o apoio da OTAN, de que não faz muito Suécia e Finlândia passaram a integrar.

Tanto na Suécia como na Finlândia as instruções envolvem a manutenção de estoques de alimentos, água, remédios e dinheiro, a guarda de cartões de crédito, conselhos sobre como se manter informado através do rádio, a busca de abrigos coletivos no caso de ataques aéreos ou nucleares, como neles se comportar ou onde se proteger caso seja impossível chegar até eles.

Logo no começo das instruções suecas, encontra-se a seguinte exortação patriótica: “Se a Suécia for atacada, nós nunca nos renderemos. Qualquer sugestão em contrário é falsa”. Aos poucos surgiram informações complementares. Em ambos os casos, tratava-se de uma atualização de instruções anteriores. Também noticiou-se que outros governos, como os da Dinamarca e da Noruega distribuíam instruções semelhantes. Nada disto atenuou o impacto midiático do clima de preparação para uma guerra.

Para engrossar o caldo, a Alemanha entrou na dança. A mídia do país noticiou a existência de um documento do Exército até então secreto, com mil páginas sobre a possibilidade e os desdobramentos de uma guerra com a Rússia. Entre outras coisas o documento prevê que a Alemanha se transformaria num imenso corredor por onde passariam centenas de milhares de tropas da OTAN - norte-americanas e outras. O país se transformaria no grande organizador logístico do fluxo de tropas, suprimentos e armas de variada espécie para o conflito. Outras informações vieram à tona. O Exército está disponibilizando instruções específicas para empresários sobre como adequar suas empresas à circunstância de uma guerra, com destaque para a questão dos transportes. Para compreender o impacto destas informações, deve-se levar em conta a moldura em que surgiram e alguns antecedentes.

Concomitante a elas noticiava-se uma escalada de fato ou retórica em torno da guerra na Ucrânia e agora também em território russo, com a invasão da região de Kursk por tropas ucranianas. Noticiou-se a presença de tropas norte-coreanas em território russo, em apoio a Moscou. O governo Biden autorizou a utilização pela Ucrânia de mísseis de longo alcance contra território russo, e o fornecimento de minas terrestres contra veículos e pessoas para o governo de Kiev. Este anunciou que a Rússia lançara um míssil de longo alcance, capaz de levar uma ogiva nuclear, contra seu território. Moscou relaxou as normas para utilização se armas nucleares em caso de conflito, sobretudo se atacada por um país que tivesse o apoio de uma potência nuclear. França, Alemanha e Polônia anunciaram estarem aumentando significativamente seus orçamentos militares. O exemplo pode ser seguido por outros países. Os Estados Unidos anunciaram o restabelecimento de mísseis em território europeu. A TV russa divulgou uma reportagem comentando quais cidades europeias poderiam ser alvo de ataques por mísseis de longo alcance.

Não faz muito o governo Biden aumentou em 20% a presença de pessoal militar e conexo norte-americano no continente europeu, contingente que hoje passa de 120 mil, maior do que, por exemplo, todo o Exército do Reino Unido. Autoridades civis e militares alemãs já falaram abertamente que é possível haver uma guerra com a Rússia em cinco ou seis anos.

Em suma, a Europa se prepara para a possibilidade da guerra. Políticos que admitem o risco usam com frequência o dito popularizado em latim, “si vis pacem para bellum”, “se queres a paz, prepara-te para a guerra”. Entretanto lembremos que o currículo europeu na matéria não é bom. Sempre que a Europa preparou-se para guerra, ela acabou acontecendo, com as consequências trágicas que conhecemos.


*Flávio Aguiar, jornalista e escritor, é professor aposentado de literatura brasileira na USP. Autor, entre outros livros, de Crônicas do mundo ao revés (Boitempo). [https://amzn.to/48UDikx]

 

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Fagulha Entrevista – Patrick Sanches – Crise da Educação em São Paulo - 09 09 2026, às 20h

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