Os Estados Unidos, a Europa e o “caso Groenlândia”. Por Flávio Aguiar

 Os Estados Unidos, a Europa e o “caso Groenlândia”. Por Flávio Aguiar



Reação à cobiça do império


Os Estados Unidos, a Europa e o “caso Groenlândia”. Flavio Aguiar “Yankees go home”, dizia a faixa em frente ao consulado dos Estados Unidos. Erguida por um grupo de manifestantes, ela definia o espírito político do evento. O grupo não era muito grande, mas também não era pequeno. E estavam visivelmente irados.

 Não, não se trata dos anos 60 do século passado, nem de uma cidade latino-americana. Os irados manifestantes eram cidadãos dinamarqueses, pertencentes à União Europeia. O local era Nuuk, a capital da Groenlândia, e o grupo protestava contra a futura visita do vice-presidente norte-americano, James David Vance, a uma base militar e aeroespacial dos Estados Unidos em seu território.

A visita, que se realizou na sexta-feira da semana passada, 28 de março, coroou uma série de atritos diplomáticos envolvendo a Washington de Donald Trump, o governo de Copenhague e o governo do território autônomo da Groenlândia, que faz parte da Dinamarca. Durante a estada na base, Vance fez um pronunciamento reafirmando o interesse de Washington na ilha e desqualificando o governo dinamarquês, acusando-o de negligência em relação aos habitantes dela.

Dias antes da visita, o presidente Trump já apimentara os atritos, reiterando mais uma vez que os Estados Unidos “tomarão” a Groenlândia, de um jeito ou de outro.

Afinal, o que é a Groenlândia? Para começo de conversa, ela é uma das maiores ilhas do globo terrestre, e também a mais gelada. Situada entre o círculo polar e o próprio Polo Norte, a maior parte de seu território passa quase o ano inteiro sob temperaturas negativas extremas e por vários meses com direito a meia hora de luz por dia, quando muito. Tem pouco menos de 60 mil habitantes, na maior parte da etnia e cultura Inuite, também chamados de esquimós, palavra que eles consideram pejorativa.

Acontece que a ilha é rica em minérios, gás e petróleo. Tem uma posição estratégica entre os continentes europeu e norte-americano, e o oceano Ártico, sendo que do outro lado deste está nada mais nada menos do que a Rússia, a antiga União Soviética, no passado a arqui-inimiga do capitalismo do Bloco Ocidental liderado pelos Estados Unidos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Os Inuites e outros povos da região a ocuparam desde séculos antes da era cristã. A partir do século X desta era ela passou a ser visitada regularmente por europeus, e terminou como posse dos reinos unidos da Noruega e da Dinamarca. Quando estes se separaram, no século XIX, ela ficou com a Dinamarca que, depois da Segunda Guerra, lhe deu o status de território autônomo, embora a sua moeda seja a coroa dinamarquesa e seu rei, o da Dinamarca, hoje o sorridente Frederico X. E tanto no final do século XIX como em meados do século XX os Estados Unidos já pensaram em comprar a ilha. Hoje Trump ameaça ocupá-la, se não conseguir comprá-la.

O fato é que as ameaças de Trump provocaram reações negativas tanto por parte de Copenhague quanto por parte dos groenlandeses, ciosos de sua autonomia.

Vance e sua esposa planejavam fazer uma visita oficial e ampla à ilha, acompanhados por uma comitiva de secretários de estado. Diante da reação negativa e do risco de manifestações hostis nas ruas, o casal encolheu a visita, limitando-a à base norte-americana de Pituffik, no extremo norte da ilha.

O interesse dos Estados Unidos é tanto econômico quanto militar. Consideram a ilha estratégica para detectar ameaças que venham pelo Ártico. O interesse econômico cresce com o aquecimento global, que deve facilitar a navegação com a redução da calota de gelo.

Mas para os groenlandeses uma ocupação sob Trump seria um desastre. Afinal, nos Estados Unidos de hoje eles seriam considerados como “índios”, ao invés de cidadãos como os outros, apesar das promessas de Vance em contrário.

Além disto, a Groenlândia tem uma legislação considerada avançadíssima em matéria de direitos humanos, sobretudo em relação a pessoas não heterossexuais, o que Trump abomina e detesta.

Consta que ao descer na base, Vance declarou algo assim: “God, it’s cold like shit”, o que equivale a dizer “Meu Deus, está um frio do cão”, numa tradução amena. Não se sabe se ele se referia apenas à temperatura ou também à recepção gelada por parte dos cidadãos da Groenlândia.

 

*Flávio Aguiar, jornalista e escritor, é professor aposentado de literatura brasileira na USP. Autor, entre outros livros, de Crônicas do mundo ao revés (Boitempo). [https://amzn.to/48UDikx]

 

 

 

 

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O jogo claro/escuro de Ainda estou aqui. Por Flávio Aguiar

 

O jogo claro/escuro de Ainda estou aqui. Por Flávio Aguiar


"Ainda estou aqui"/ Divulgação

 

Considerações sobre o filme dirigido por Walter Salles

“Nem sempre o que é, parece; mas o que parece seguramente é”. “As aparências enganam”.

(Ditados brasileiros, aparentemente contraditórios).

 

1.

Os dois ditados da epígrafe acima se aplicam ao filme de Walter Salles, e não são contraditórios. Pelo contrário. Como sempre, no mundo dos ditados se encontram tanto uma afirmativa quanto sua negação. “Devagar se vai ao longe”, diz um; “quem espera, desespera”, diz o outro, logo ao lado. A “verdade” não pertence nem a um nem ao outro, separadamente. A sabedoria está em jogar com seu equilíbrio, reconhecendo quando um se aplica, e quando o outro.

Assim acontece com o filme, que faz um jogo alternado ou simultâneo com os claros e os escuros. E como se verá, a clareza oculta e revela seu lado escuro; enquanto o escuro esconde e revela a clareza do que as aparências luminosas ocultam.

Este jogo começa pelo título, tomado do livro de Marcelo Rubens Paiva (que não li, esclareço). O “ainda estou aqui” se refere a quem deixou de estar ali, mas cuja ausência afirma a presença de sua denúncia.

Faço uma anotação prévia. Li muitos comentários – pertinentes e relevantes – sobre o impacto político do filme, tanto como revisão do passado, quanto como intervenção em nosso complexo presente, em que pululam no Brasil e no mundo inteiro os saudosos dos fascismos e das ditaduras. Também li muitos elogios, todos mais que merecidos, à atuação da premiada Fernanda Torres e também a de sua mãe, Fernanda Montenegro, nos momentos finais do filme, como uma Eunice Paiva acometida de Alzheimer. Mas muito pouco – quase nada, na verdade – li sobre o filme em si e sua linguagem cinematográfica. É o que vou abordar aqui, pelo menos em parte.

 

2.

Advirto que só assisti o filme uma única vez. Portanto, tudo aqui está subjudice de minha memória, onde se embaralham as imagens do filme com as lembranças dos tempos que ele evoca, que também vivi dramaticamente.

O que mais me marcou ao ver o filme foi o que lá no título e no começo deste artigo chamei de jogo claro/escuro.

Uma constante no filme é a convivência na tela de imagens claras com imagens escuras. Estas podem estar no pano de fundo daquelas, ou ao lado. Por exemplo, nos muitos closes dos rostos dos personagens, em que ou eles aparecem iluminados contra um fundo escuro ou ao lado de um canto escurecido da tela.

Ou o jogo claro/escuro se dá por alternância. Por exemplo, entre as cenas iluminadas da paisagem carioca e as cenas escuras dos porões da ditadura, isto é, o cárcere dos interrogatórios, com seus sons atrozes das torturas. Neste particular, penso que o filme é muito feliz, denunciando a violência sem recorrer a exageros de ketchup e contusões arroxeadas de um brutalismo exacerbado.

Ou aquele jogo se dá ainda no momento em que os rostos são recobertos pelo escuro dos capuzes e por aí vai.

Ressalto que neste contexto “escuridão” não se refere a uma cor, sequer a uma ausência de cor, na definição clássica. Denota, isto sim, a incapacidade ou a impossibilidade de “ver”, como acontece com as pessoas encapuzadas.

Ocorre que as cenas iluminadas por vezes são repletas de escuros. Enquanto que os escuros revelam algo que se esconde por detrás das iluminações na superfície.

E o filme começa por uma destas superfícies luminosas. Depois de perder seu mandato como deputado, cassado que foi pelo Ato Institucional no. 1, Rubens Paiva tenta reorganizar-se numa vida “normal” com a família, no Rio de Janeiro. Mas como presságios sombrios do que está por vir, caminhões cheios de militares e blindados rondam as ruas e os passos dos personagens.

Estes lampejos luminosos terminam de vez quando os militares/policiais invadem a casa da família. Enquanto alguns levam embora – e para sempre – o ex-deputado, os que ficam na casa, num gesto simbólico, fecham as cortinas das janelas: o lado escuro desce sobre todos.

Eunice e a filha terminam sendo levadas para o calabouço, com a escuridão dos capuzes tapando seus rostos.

E seguem-se os dias no escuro do cárcere, com os interrogatórios repetitivos, extenuantes, humilhantes, desconcertantes, absurdos.

E é nesta sombra escura da prisão que se revela a clareza da ditadura: diante dela, e para ela, não há inocência nem inocentes. Trata-se de extinguir a luz própria das pessoas-alvos, fazendo-as confessar o que sabem e até o que não sabem, obrigando-as a gravitar em torno do luto a que estão condenadas: o luto pela perda da liberdade.

Mas no caso de Eunice Paiva há também o duplo luto pela perda do marido, de que gradualmente toma consciência, e da perda de seu corpo, desaparecido nas entranhas da monstruosidade. E se instala a torpe escuridão da mentira. Paiva “sumiu”, foi “sequestrado por um grupo guerrilheiro”, “nunca passou por aqui”, nas versões oficiais.

Eunice termina por tomar conhecimento também da vida secreta de seu marido, por detrás da luminosa “normalidade” que a ocultava. Ele e alguns amigos ajudavam clandestinamente gente perseguida pela ditadura, levando e trazendo informações, recebendo e distribuindo correspondências, facilitando a fuga de pessoas ou propiciando-lhes esconderijos. Por isto ele foi preso, torturado e assassinado.

Com o passar do tempo, colhendo palavras e impressões aqui e ali, vem-lhe a certeza de que o marido foi morto. Mas a clareza dolorida desta revelação segue turvada pela escura impossibilidade de “ver” o seu corpo, sequestrado novamente pela torpe decisão, por parte de seus algozes, de além de cometer o crime, cometer o segundo crime de impedir o seu reconhecimento.

 

3.

Com este jogo de claro/escuro, o filme adquire uma dimensão metafórica. Quando Eunice e sua filha são encapuzadas, é o Brasil inteiro que é encapuzado. E naquela sala dos interrogatórios o jogo se completa: os interrogadores, com seus álbuns de fotografias, acuam Eunice, que, de fato, nada sabe das atividades de seu marido depois de sua cassação, ressalvando-se que para a ditadura preservar vidas de pessoas perseguidas era um “crime lesa-pátria”.

Mas a câmera do filme, por sua vez, acua o interrogador, com a brilhante atuação do ator, expondo sua arrogância estrutural, o fato de que, como na Inquisição histórica, a ré (porque a delegacia se toga de tribunal e se transubstancia em cadafalso) é julgada de antemão por um crime que não sabe qual foi porque não tem o direito de saber. O único “direito” que lhe resta é o de confessar o crime que não cometeu.

A metáfora do encapuzamento retorna, mutatis mutandis, no final do filme. Eunice/Fernanda Montenegro olha pasma, acometida de Alzheimer, para uma tela de televisão, enquanto o restante da família confraterniza em almoço talvez domingueiro.

Sua imagem, novamente, vale como metáfora do país inteiro, este Brasil opresso por políticas de promoção do esquecimento, patrocinadas por mídias corporativas que conspiraram pela ditadura, a apoiaram e estigmatizaram seus opositores como terroristas, ou de agências repressivas, sejam privadas ou estatais. A reportagem televisiva sobre a ditadura equivale a um mea culpa quae sera tamen, ainda que tardio, embora tenha seus méritos.

Envolta na escuridão do Alzheimer, Eunice/Fernanda reconhece, com um tímido e delicado sorriso (genialidade de direção, interpretação e câmera) , a imagem do marido sequestrado, assassinado e de corpo desaparecido.

Este gestus da imagem contém uma revelação profunda. Promovido pela ditadura e por seus adoradores satânicos de hoje, o esquecimento parece ser uma vocação do Brasil. Não é. A memória resiste, mesmo nos delicados melindres das nebulosidades.

No começo dos anos 1970, quando aconteceram o sequestro e o assassinato de Rubens Paiva, grassavam no Brasil os primeiros momentos do governo do general Emílio Médici, catapultado em sua aceitação por uma burguesia satisfeita com a repressão e uma classe média seduzida pelos acenos da casa própria e do segundo ou terceiro carros, no auto-proclamado “milagre brasileiro”.

Eram tempos  a um tempo eufóricos e sinistros, feéricos e de escuridão total. Acreditavam os ditadores e seus asseclas e acreditávamos nós, da resistência esmagada, torturada, assassinada, exilada ou silenciada, que nada, nunca mais, aconteceria de novo no país. A mesma crença que hoje os adoradores da ditadura e dos fascismos renascentes querem nos impingir.

Felizmente, eles estavam, e nós estávamos, e eles hoje ainda estão completamente errados. E este filme, com sua linguagem sofisticada e transparente, voejando sobre escuridões e apagões da memória, é uma prova disto.

 

*Flávio Aguiar, jornalista e escritor, é professor aposentado de literatura brasileira na USP. Autor, entre outros livros, de Crônicas do mundo ao revés (Boitempo). [https://amzn.to/48UDikx]

 

 

Referência


Ainda estou aqui
Brasil, 2024, 135 minutos.
Direção: Walter Salles.
Roteiro: Murilo Hauser e Heitor Lorega.
Direção de Fotografia: Adrian Teijido.
Montagem: Affonso Gonçalves.
Direção de Arte: Carlos Conti
Música: Warren Ellis
Elenco: Fernanda Torres; Fernanda Montenegro; Selton Mello; Valentina Herszage, Luiza Kosovski, Bárbara Luz, Guilherme Silveira e Cora Ramalho, Olivia Torres, Antonio Saboia, Marjorie Estiano, Maria Manoella e Gabriela Carneiro da Cunha.

 

 

 

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A Europa se prepara para a guerra. Por Flávio Aguiar

  

A Europa se prepara para a guerra. Por Flávio Aguiar


A guerra como grande negócio.

 

Há sinais de fumaça no horizonte de que os países europeus preparam-se para a guerra. Que guerra? Contra a Rússia.

Tomemos a Alemanha como exemplo.

Primeiro exemplo: a Volkswagen, empresa que há quase um século está vinculada à identidade nacional alemã, vai fechar 3 de suas fábricas, devido à crise econômica que assola o país e o continente. Mas há uma empresa interessada na compra das 3. Qual? a Rheinmetall, uma das principais produtoras de armamentos na Alemanha. Por quê? Porque seus diretores prevêem uma margem de lucro considerável, graças ao anúncio, por parte da presidenta da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, de que a União vai investir 800 bilhões de euros em armamentos para incrementar a defesa do continente.

Exemplo 2: paradoxalmente, o diretor de uma das agências do serviço secreto alemão, Bruno Kahl, do Bundesnachrichtendienst, manifestou, em entrevista à Deutsche Welle, em 03/03/2025, a preocupação com a possibilidade de que a guerra na Ucrânia tenha um “fim rápido”. Por quê? Segundo ele, porque isto liberaria a Rússia para ameaçar o restante da Europa antes de 2029 ou 2030, isto é, antes de que os outros países do continente estejam preparados para enfrentar o “inimigo”. A afirmativa, que provocou indignação em Kiev, mostra que há uma estratégia pensada a respeito da possibilidade e previsão da guerra.

E a indústria da guerra parece ser um dos vetores mais importantes para a recuperação econômica da Alemanha e do continente.

A Alemanha ocupa o quinto lugar entre os maiores exportadores de armas do mundo. São eles, em ordem crescente, segundo o Instituto Internacional de Investigação para a Paz, sediado em Estocolmo: Israel, Coreia do Sul, Espanha, Reino Unido, Alemanha, China, França e Rússia praticamente empatadas, e Estados Unidos.

Há duas enormes discrepâncias entre estes países. Primeira: de Israel à China, o percentual de participação nas exportações mundiais de armas fica em um dígito, de 1 a 5%. Com Rússia e França, o índice dá um salto, para 10,5 e 10,9%, respectivamente, sendo que a França superou a Rússia porque as exportações desta caíram, graças à guerra com a Ucrânia e os aliados que a apoiam.

Com os Estados Unidos, o salto é maior ainda: o índice de sua participação é de 40% do mercado mundial.

Segunda discrepância: nos últimos dez anos o valor destas exportações caiu, em oito dos dez países. As duas grandes exceções são a França e os Estados Unidos. No caso destes, o aumento foi de 24%.

Das 100 maiores empresas privadas de produção de armamentos, 41 são norte-americanas, e 27 europeias, excluindo-se a Rússia, que tem apenas 2 empresas entre elas. Invertendo-se a perspectiva, verifica-se que o país que mais importa armas no mundo é a Ucrânia, com quase 9% do setor. E seus principais fornecedores são os Estados Unidos, a Alemanha e a Polônia.

Assinale-se uma curiosidade: nenhum país da América Latina figura entre os principais exportadores ou importadores de armas.

Aqueles números acima mostram que, como no passado, infelizmente a guerra ou sua perspectiva permanecem sendo um bom negócio para afastar o fantasma de recessões econômicas para quem produza armas, não para quem suporte seus efeitos.

Como afirmei no começo, há sinais de fumaça no horizonte apontando na direção de uma guerra. Sabe-se que onde há fumaça, há fogo. Sempre que os países da Europa prepararam-se para uma guerra, a guerra aconteceu. E este continente propiciou as duas guerras que em toda a história humana ganharam o triste título de “mundiais”.

 

 

Flávio Aguiar, jornalista e escritor, é professor aposentado de literatura brasileira na USP. Autor, entre outros livros, de Crônicas do mundo ao revés (Boitempo). [https://amzn.to/48UDikx]

 

 

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Europa: 50 países em busca de um continente. Por Flávio Aguiar

 

Europa: 50 países em busca de um continente. Por Flávio Aguiar

 

A vassalagem europeia.

 

Ao lado de ser um território com mapa e limites geográficos, durante séculos a Europa foi a fonte de um discurso múltiplo que se debruçava sobre o mundo e sobre ou sob o qual o mundo se debruçava.

Um discurso múltiplo: o significado e alcance desta expressão é, em si mesmo, múltiplo. Por exemplo, os discursos políticos emanados da “voz europeia” compreendem desde o absolutismo monárquico dos séculos XVII e XVIII às teorias e práxis rebeldes do Iluminismo e do Marxismo revolucionários.

Mais que qualquer outro continente, a Europa disseminou línguas pelo mundo. Graças às grandes navegações e ao colonialismo, as línguas geograficamente mais oficialmente espraiadas pelo mundo são de origem europeia: inglês, português, francês e espanhol.

A Europa e os europeus não só dialogaram com e pelo mundo; também impuseram o seu diálogo interno pelo mundo inteiro, durante séculos. E foi o berço clássico de algo muito complexo, chamado de “Ocidente”, “Cultura ou Civilização Ocidental”. O último rebento deste autêntico rio de conceitos foi o chamado “Bloco Ocidental”, nascido logo depois do fim da Segunda Guerra Mundial, ainda que desta vez sob a liderança dos Estados Unidos. Mas que são estes, senão o rebento mais poderoso do colonialismo britânico?

Além disto, a Europa foi a fonte das duas únicas guerras da história humana que ganharam o adjetivo de “mundiais”. Diante de tal currículo fica ridículo o afã norte-americano de chamar suas disputas esportivas nacionais de “World Series”, bem como o de chamar o seu país, por maior e mais poderoso que seja, de “America”. Ou de criar um “Golfo da América” onde existe um Golfo do México.

O chamado Bloco Ocidental e seu principal braço armado coletivo, a OTAN, ganharam a Guerra Fria, derrotando sobretudo a finada União Soviética, que desmoronou. A OTAN começou a estender seu domínio de ação ao antigo Leste Europeu, bombardeando forças que considerasse inimigas, no Norte da África e no Oriente Médio, destruindo governos e países que não fossem de seu agrado.

abriu caminho para guerras na Geórgia e na Ucrânia, atraindo a Rússia para rinhas que poderiam tornar-se armadilhas para Moscou. Mas de repente, não mais que de repente, o Bloco Ocidental tremeu, e visivelmente rachou. Quem conseguiu esta proeza não foi algum regime comunista. Afinal, o comunismo hoje, além de nos formigueiros e nas colmeias, sobrevive apenas em verdadeiras reservas ecológicas, Cuba e a Coreia do Norte. Não me venham dizer que a República Popular da China ainda é comunista, embora não seja neoliberal nem detenha um capitalismo clássico.

O autor desta proeza foi um político norte-americano, o presidente dos Estados Unidos, espinafrando em pleno Salão Oval da Casa Branca, com ajuda de seu vice, o antigo aliado preferencial, seu colega da Ucrânia, ao mesmo tempo em que lhe apresentava a fatura pela ajuda militar prestada sob a forma de cessão das terras raras daquele país destruído por uma guerra terceirizada.

A consequência disto foi a constatação de que quem de fato caiu na armadilha da guerra foi a Europa. Neste continente acelerou-se a corrida armamentista que já estava em curso e instalou-se a balbúrdia costumeira nos agrupamentos coletivos que se descobrem isolados, falando uns para os outros, sem audiência no resto do mundo.

Este foi o presente que Trump entregou ao continente europeu e sua principal porta-voz, a União Europeia, bem como a matriz criadora dos Estados Unidos, o antigo Império Britânico, que tem hoje sua City financeira transformada numa das maiores agências de lavagem de dinheiro no mundo, tanto que esta tem o apelido na mídia londrina de “Laundromat”. A Europa, com a exclusão da Rússia de seu plantel político-geográfico, ficou pendurada no pincel de uma guerra que poderia ter contribuído para evitar, se permanecesse fiel aos acordos de Minsk sobre a Ucrânia. Esta Europa, que se encontra carente de lideranças expressivas no cenário geopolítico, cuja União se vê assediada pelas propostas xenófobas de suas extremas-direitas, insufladas por assessores do ocupante da Casa Branca e contaminando as agendas de quase todos os demais partidos, inclusive alguns à esquerda, como o BSW alemão, ou os Verdes em todo o continente.

Em todos os recantos europeus ouve-se, ora em surdina, ora em bel-canto, o refrão de que os países do continente se preparam para uma guerra. Ora se fala numa “guerra contra a Rússia”, versão perigosa, mas ainda em lá menor, ora da versão em dó maior que se lança no espaço como a perspectiva de uma “Terceira Guerra Mundial”.

Houve até um político alemão, dos do grupo da surdina, que advertiu não ser uma boa alternativa o rápido fim da guerra na Ucrânia, pois isto liberaria Moscou, na visão dele, para almejar outros alvos, antes que seu país e os demais do continente, estivessem preparados para o conflito, o que deveria acontecer lá por 2030.

Confirmando-se esta visão, ela comprovaria que a Ucrânia merece o título de “bucha de canhão” do século XXI, uma espécie de Álamo europeu, segundo a mitologia norte-americana de que os defensores daquela fortaleza texana se sacrificaram dando tempo a Sam Houston para se preparar na luta afinal vitoriosa contra Santa Anna. Um destino glorioso na mitologia e cruel na realidade.

Este quadro, na verdade soturno e trágico, sugere a ideia de que os líderes europeus estão forjando nova versão de conhecido ditado brasileiro: estariam na base do “não vamos ver como é que está para não ver como é que fica”.

Esclareço: desde a conversa catastrófica no Salão Oval da Casa Branca instalou-se um clima de franca rebeldia na retórica dos políticos da União Europeia e da Europa de um modo geral. Vocifera-se uma rebeldia armamentista contra Trump pelo “abandono” da Ucrânia em favor de uma aproximação com Putin. Promete-se o rearmamento da Europa, com investimentos da ordem de quase um trilhão de euros no militarismo continental (150 bilhões de imediato), incluindo a Ucrânia, transformada em bastião avançado do… bem do quê, mesmo, se já não dia para falar em Bloco Ocidental, pelo menos do mesmo jeito que se falava antes.

Acontece que os Estados Unidos são o maior exportador de armamentos do mundo, com uma quota de 43% do setor entre 2020 e 2024, contra 35% entre 2015 e 2019. Os dados são de um relatório do Instituto Internacional de Investigação para a Paz. com sede em Estocolmo. Os dados foram divulgados por reportagem da CNN portuguesa em 10/03/2025 (“A América é o maior exportad0r de armas do mundo. A Europa devia saber”).

Ainda segundo este relatório, nos últimos cinco anos quase dois terços das armas importadas pelos países europeus vêm dos Estados Unidos, contra pouco mais da metade entre 2015 e 2019.

Fala-se em reforçar a produção armamentista da Europa. Entretanto, isto vai levar tempo. No interregno, a Europa estará, na verdade, sob a cortina de fumaça da rebeldia, cumprindo as ordens de Trump e ajudando a sua proposta de “Make America Great Again”. O que comprova que nos diálogos geopolíticos as valsas vienenses, as lieder alemãs, a chanson francesa, a tarantella italiana, os madrigais britânicos, etc., estarão de vez sendo encobertos pelo novo rockão bate-estaca da Casa Branca.

 

 

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Fagulha Entrevista – Juliana Cardoso – Deputada Federal - PT-SP

 

Fagulha Entrevista – Juliana Cardoso – Deputada Federal - PT-SP

 

Fagulha Entrevista – Juliana Cardoso

Deputada Federal – PT-SP



Entrevista ao vivo - 07/03/2025, sexta-feira, às 18h

 

Fagulha Entrevista – Os desafios de São Paulo e do Brasil

 

 

Fagulha Entrevista

Juliana Cardoso

Os desafios de São Paulo e do Brasil

 

Entrevista ao vivo - 07/03/2025, sexta-feira, às 18h

 

 

 

 

Fagulha Entrevista - Política nacional

 

Entrevista Juliana Cardoso (Deputada Federal – PT/SP)

para dialogar sobre as principais questões de São Paulo e do Brasil.

 

 

TEMAS

Os desafios de São Paulo e do Brasil: 

Análise geral sobre a situação atual da cidade de São Paulo;

A truculência contra a cultura (demolições e outros absurdos;

Propostas para enfrentar esses retrocessos e um balanço do Seminário sobre Direitos Humanos (encaminhamentos, sugestões elaboradas etc.);

 

E demais questões enviadas pelos/as internautas.

 

 

*Juliana Cardoso é afro-indígena, nasceu, cresceu e mora na periferia da zona Leste da capital paulista. Estudou em escola pública e iniciou sua militância muito jovem, nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), junto à Igreja Católica. Formada em gestão pública, foi eleita aos 27 anos para a Câmara Municipal de São Paulo, cargo para o qual foi reconduzida mais três vezes pelo reconhecimento da construção de um mandato popular na luta pela defesa dos Direitos Humanos, das mulheres, do SUS, da Assistência Social, da moradia, do ECA, do movimento LGBTQIA+, da cultura e da educação pública, da igualdade racial e dos imigrantes, além do povo indígena. No pleito de 2022, Juliana Cardoso foi eleita deputada federal com 125.517 votos.

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CURSO online - Leituras Críticas de Dramaturgia Moderna: Críticos Estadunidenses Fundamentais (Gassner, Bentley e Carlson). Por Maria Sílvia Betti

 

CURSO online - Leituras Críticas de Dramaturgia Moderna: Críticos Estadunidenses Fundamentais (Gassner, Bentley e Carlson). Por Maria Sílvia Betti

 

Críticos Estadunidenses Fundamentais: Gassner, Bentley e Carlson.


Inscrição gratuita como ouvinte para o Curso online:

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PROGRAMA

OBJETIVOS:

Introduzir e discutir uma seleção de obras críticas relevantes para a pesquisa analítica e crítica do texto dramatúrgico em sua relação com as concepções cênicas que lhe são inerentes.

Familiarizar os alunos com a discussão crítica de textos teatrais representativos das questões formais e teóricas examinadas nos trabalhos discutidos.

 

JUSTIFICATIVAS:

O estudo do texto dramatúrgico e das concepções cênicas a que ele se liga é imprescindível para o embasamento de pesquisas em diversas áreas de Literatura Dramática, de Artes Cênicas e de Dramaturgia. Os trabalhos críticos apresentados e discutidos no programa são pontos de referência nessas áreas, e permitem a colocação de questões essenciais para um trabalho analítico aprofundado.

 

CONTEÚDO (EMENTA):

Aula 1: Introdução, contextualização e problematização da proposta.

Aulas 2 e 3: John Gassner: contextualização de seu trabalho crítico. Form and idea. Discussão de excertos.

Aula 4: Mestres do Teatro II, de John Gassner. Discussão de excertos.

Aula 5: Eric Bentley: contextualização de seu trabalho crítico. The theatre of commitment. Discussão de excertos.

Aula 6: O dramaturgo como pensador de Eric Bentley. Discussão de excertos.

Aula 7: The theory of the modern stage de Eric Bentley. Discussão de excertos.

Aula 8: Marvin Carlson. contextualização de seu trabalho. theories of the theater. Discussão de excertos relacionados à segunda metade do século XX.

Aula 9. Marvin Carlson. Performance. A critical introduction. Discussão de excertos.

Aula 10. Post dramatic theatre and post dramatic performance. Ensaio de Marvin Carlson. Discussão do texto.

Aula 11: críticos estadunidenses nos Cadernos do Tablado. Discussão de uma seleção de artigos tomados a diversos números dos Cadernos.

Aula 12: balanço do curso e reflexões de encerramento.

 

 

Inscrição gratuita como ouvinte para o Curso online:

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Leituras Críticas de Dramaturgia Moderna:
 Críticos Estadunidenses Fundamentais (Gassner, Bentley e Carlson). 

Docente responsável: Maria Sílvia Betti – FFLCH-USP

Transmissões online via Google Meet: de 11 de março a 27 de maio de 2025

Terças-feiras: das 14h às 18h

Organização: Agenor Bevilacqua Sobrinho – Cia. Fagulha 

 

 

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A implosão do Bloco Ocidental. Por Flávio Aguiar

 

A implosão do Bloco Ocidental. Por Flávio Aguiar

 

União europeia e a ameaça da irrelevância geopolítica.

 

Os efeitos da tsunami política gerada pelo catastrófico encontro no Salão Oval da Casa Branca entre os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Volodimyr Zelensky, da Ucrânia, mais o vice norte-americano James David Vance, podem ir muito além da guerra russo-ucraniana. Um destes efeitos pode ser o naufrágio geopolítico da chamada Europa Ocidental.

Comecemos pelo começo. A Europa é tida e lida como o berço das chamadas Cultura e Civilização Ocidentais, desde os tempos da Grécia e da Roma antigas.

Um dos derivados contemporâneos destes conceitos foi o Bloco Ocidental, criado depois do fim da Segunda Guerra Mundial, liderado pelos Estados Unidos e constituído por seus aliados na Europa Ocidental, o Canadá, e, na sua franja distante, por países como Austrália, Nova Zelândia, a China Nacionalista (Taiwan) e, de certo modo, até pelo ex-inimigo Japão.

O Bloco Ocidental confrontava o Mundo Comunista, formado pela hoje extinta União Soviética (URSS) e seus satélites no Leste Europeu, a República Popular da China, o Vietnã do Norte, que acabou incorporando seu co-irmão do Sul em 1975, Cuba a partir de 1959, mais alguns países comunistas, como a hoje também extinta Iugoslávia, a Romênia e a Albânia, que não eram satélites da URSS. Os demais países, na América Latina, na África, na Ásia e na Oceania eram “áreas em disputa”, com forças políticas pendendo para um ou outro lado.

Este Bloco Ocidental tinha e tem um braço armado, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que confrontava o Pacto de Varsóvia, liderado pela URSS. Com a extinção desta, em 1991, o Bloco Ocidental ampliou sua influência para o Leste Europeu. A OTAN estendeu o alcance de sua ação, tornando-se uma espécie de força policial atuante em conflitos como nos Bálcãs Europeus, no Norte da África e até no Oriente Médio. Por fim, passou a ter por alvo a Federação Russa, que herdou da URSS o maior arsenal nuclear mundial. Economicamente, o Bloco passou a enfrentar também o crescente poderio da China Comunista e sua influência em escala mundial.  

Paralelamente, a Europa viu a emergência e ampliação da União Europeia, sob a liderança de países da Europa Ocidental, como Alemanha, França e Itália, uma promessa de paz e prosperidade num continente martirizado e destruído por duas guerras mundiais no século XX.

O cartão de visitas do Bloco Ocidental compreendia o regime capitalista, a democracia eleitoral, a liberdade cultural e nos costumes sociais, e muitas vezes a proteção econômica da social-democracia europeia. É verdade que nem sempre este cartão correspondia à realidade, dado que os Estados Unidos e seus aliados seguidamente patrocinaram, apoiaram ou conviveram comodamente com ditaduras sanguinárias na América Latina, na África, na Ásia e na Oceania.

Mais recentemente os Estados Unidos e seus aliados se empenharam no apoio ao governo da Ucrânia contra a invasão russa.

Mas o encontro da sexta-feira no Salão Oval foi a demonstração de como o Bloco está mudando sua natureza, para dizer o mínimo. Ele não tem mais uma liderança; tem um patrão, Donald Trump, assessorado por um feitor, JD Vance. Dedo em riste, o patrão dita o que os seus ex-aliados, hoje súditos, devem ou não pensar, sentir e fazer. A estes cabe abaixar as orelhas e obedecer às ordens.

Surpresa? Nem tanto. Afinal, aquele patrão vem se comportando como os antigos reis europeus ao tempo das grandes navegações. Quer anexar territórios, comprando-os ou ocupando-os, nomear e renomear acidentes geográficos, criar balneários de luxo em terras devastadas por seus auxiliares, como em Gaza, e agora obter concessões comerciais e econômicas explorando as terras raras da Ucrânia como pagamento pelos serviços militares a ela prestados. 

Quanto ao Zelensky, ficou pendurado no pincel da guerra que está destruindo seu país, com as promessas de apoio por parte de uma União Europeia enfraquecida, acossada por sua extrema direita insuflada por uma das big techs, a de Elon Musk, que apoiam o novo monarca absoluto de Washington. Uma União que vê-se ameaçada de afogar-se no redemoinho da irrelevância geopolítica.

Este é o novo “design” projetado pelo monarca absoluto da Casa Branca para o antigo Bloco Ocidental, que pode transformar-se em algo parecido com o cercadinho onde um hoje ex-presidente também autoritário fazia prédicas para seus fãs e crentes.

 

Flávio Aguiar, jornalista e escritor, é professor aposentado de literatura brasileira na USP. Autor, entre outros livros, de Crônicas do mundo ao revés (Boitempo). [https://amzn.to/48UDikx]

 

 

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Fagulha Entrevista – Olavo Vasconcelos – Um brasileiro nos EUA

 Fagulha Entrevista – Olavo Vasconcelos – Um brasileiro nos EUA

 

Fagulha Entrevista – Olavo Vasconcelos

Um brasileiro nos EUA

 

 


 

Entrevista ao vivo - 27/02/2025, quinta-feira, às 20h

 

Fagulha Entrevista - questões da vivência nos EUA

 

 

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Olavo Vasconcelos

Um brasileiro nos EUA

 

Entrevista ao vivo - 27/02/2025, quinta-feira, às 20h

 

 

 

 

Fagulha Entrevista - Questões da vivência nos EUA

 

Entrevista Olavo Vasconcelos (médico neurologista)

para dialogar sobre as principais questões da vivência nos EUA.

 

 

TEMAS

Um brasileiro nos EUA: 

Processo de adaptação;

Cotidiano nos dias de hoje;

Como as mudanças propostas por Trump repercutem para os estadunidenses e para os imigrantes estrangeiros;

 

E demais questões enviadas pelos/as internautas.

 

 

*Olavo Vasconcelos, 62 anos, brasileiro, médico neurologista (Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará), residente no estado de Maryland. Imigração para os EUA em 1992. Dupla nacionalidade

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Fagulha Entrevista – Êça Pereira – Os desafios da América Latina

 

Fagulha Entrevista – Êça Pereira

Os desafios da América Latina



Entrevista ao vivo - 13/02/2025, quinta-feira, às 18h


Fagulha Entrevista - Política internacional



Fagulha Entrevista

Êça Pereira

Os desafios da América Latina

 

Entrevista ao vivo - 13/02/2025, quinta-feira, às 18h

 

 

 

 

Fagulha Entrevista - Política internacional

 

Entrevista Êça Pereira (Historiadora-USP / Docente UFT)

para dialogar sobre as principais questões da Política internacional.

 

TEMAS

Os desafios da América Latina: 

Imperialismo estadunidense e As veias abertas da América Latina;

O risco do apagamento da memória e os Cem anos de solidão;

Como lidar com as ameaças da extrema-direita;

 

E demais questões enviadas pelos/as internautas.

 

 

*Êça Pereira, historiadora e pesquisadora de História das Américas da UFT. Pesquisa história intelectual, política e cultural do século XX latino-americano.

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