Rasga Coração. Por Maria Sílvia Betti

 

Rasga Coração. Por Maria Sílvia Betti








Rasga Coração (1972-1974)

 

A leitura histórica do país construída em Rasga Coração fundamenta-se na ideia exposta por Vianna no pequeno texto de apresentação da peça: o “novo” não é necessariamente revolucionário, e o verdadeiramente revolucionário não é necessariamente “novo” em suas estratégias e metas. O “velho” de hoje e o “novo” de ontem relacionam-se num jogo temporal de simultaneidades e de sequências cênicas, ora aproximando-se pela analogia, ora distanciando-se pelas contradições.

O fio histórico que perpassa a estrutura de Rasga Coração representa um corte transversal ao longo de setenta anos da vida do país sob o prisma das lutas políticas travadas pela esquerda — entenda-se que a esquerda, no caso, é vista a partir do percurso do PCB, personificado na perspectiva de Manguari Pistolão, o protagonista, e de seu camarada Camargo Velho, que abrira mão da própria juventude em prol do empenho pela luta política dentro do partido.

A peça acompanha o processo de declínio das oligarquias rurais e da Primeira República, no início do século XX, a crise de 1929, a ascensão do Tenentismo em meados dos anos 1920, a queda de Washington Luís, em 1930, o Estado Novo, instituído em 1937, a Intentona Comunista, de 1935, o Levante Integralista, de 1938, o processo de industrialização nos anos 1940, a implantação das leis trabalhistas, a campanha pelo petróleo, no início da década de 1950 e finalmente a época da ditadura civil-militar e da contracultura na década de 1970.

 

 

PLAYLIST RASGA CORAÇÃO - Editora Temporal

https://www.youtube.com/playlist?list=PLN_ojX50FvlgOKzCeQej1ZZsKqcRXnXFX

 

CHOROS N. 10 DE VILLA LOBOS (Destaque para a valsa RASGA O CORAÇÃO, de Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense, a partir da minutagem 6.58)

https://www.youtube.com/watch?v=VZjv4l9IUuw



Ciclo de encontros quinzenais online

ODUVALDO VIANNA FILHO [1936-1974]:

dramaturgia, pensamento estético e luta política.


Inscrições gratuitas

https://forms.gle/58jmwmc2JXdMf23s7

 

 

25 de outubro – Rasga Coração

https://www.youtube.com/watch?v=gAmfLidCNDo

 

11 de outubro – Nossa vida em família

https://www.youtube.com/watch?v=aCogisLYfFA

 

27 de setembro – A longa noite de Cristal

https://www.youtube.com/watch?v=R_RF8GQnUk0

 

13 de setembro – Corpo a corpo Allegro desbundaccio

https://www.youtube.com/watch?v=mBA0qhjklEo

 

30 de agosto – Dura lex sed lex, no cabelo só Gumex e Papa Highirte

https://www.youtube.com/watch?v=YYMduFt5MCU  

 

16 de agosto – Moço em estado de sítio e Mão na luva

https://www.youtube.com/watch?v=ULh55cdgVjE

 

02 de agosto — Show Opinião e Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

https://www.youtube.com/watch?v=JYCZmcAEwWs

 

19 de julho — Quatro quadras de terra e Os Azeredo mais os Benevides

 https://www.youtube.com/watch?v=G4g050M3ByU

 

05 de julho – Auto dos 99%. Ou como a Universidade capricha no subdesenvolvimento e Brasil versão brasileira

https://www.youtube.com/watch?v=w1QWLElhkbo&t=1s

 

21 de junho – Chapetuba Futebol Clube e A mais valia vai acabar, seu Edgar

https://www.youtube.com/watch?v=5pHJ0U7l5ic&t=6s

 

 

 

Apoio: Blog da Cia. Fagulha

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Dramaturgia e luta política nos anos 1960 e 1970: o trabalho de João das Neves (1934-2018) e de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) - Disciplina de Pós-graduação. Parte 2 - Por Maria Sílvia Betti

 

Dramaturgia e luta política nos anos 1960 e 1970:

o trabalho de João das Neves (1934-2018) e de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974)


PARTE 2 da disciplina de pós-graduação do Programa de Artes Cênicas da ECA USP 

Ministrante Profª. Drª. Maria Sílvia Betti  

 

Sextas-feiras das 9h às 12h

 

PRESENCIAL: Edifício Antonio Cândido (PRÉDIO DE LETRAS) DA FFLCH USP, Sala 134, Cidade Universitária Campus do Butantã

 

ONLINE: Enviar número de celular e e-mail informando interesse

Whatspp (11) 99374 - 2566

 

A DRAMATURGIA DE ODUVALDO VIANNA FILHO

 

Aula 10- (18 de outubro). Discussão da peça “Se correr o Bicho pega, se ficar o Bicho come”.

 

Aulas 11 - (25 de outubro) “Papa Highirte” (1968).

 

Aula 12 – (01 de novembro). “A longa noite de Cristal” (1972)

 

Aula 13 – 0(8 de novembro). “Nossa vida em família”. (1971-1972)

 

Aula 14 - (22 de novembro). “Rasga Coração” (1974).

 

Aula 15 – (29 de novembro) Debate final.

 

PROGRAMA, BIBLIOGRAFIA E ACESSO LIVRE AOS TEXTOS PELO MOODLE ABERTO DA DISCIPLINA:

https://edisciplinas.usp.br/course/view.php?id=121269#section-10



Nossa vida em família. Por Maria Sílvia Betti

 


Nossa vida em família. Por Maria Sílvia Betti







Nossa vida em família (1971)

 

 Nossa vida em família, de 1971, é a reelaboração de Vianna para a peça “Em família”, que havia escrito em 1970 em conjunto com Paulo Pontes e Ferreira Gullar.

Relações familiares e intergeracionais tinham se feito presentes, em alguma medida, em três de suas peças anteriores: “Brasil versão brasileira” e “Quatro quadras de terra”, escritas no início dos anos 1960 dentro do CPC, e “Moço em estado de sítio”, de 1965, que permanecera inédita. Nos anos seguintes, Vianna assumiria (juntamente com Armando Costa), a autoria do seriado televisivo “A grande família”, que se tornaria um sucesso de público sem precedentes. A família voltaria a ser abordada em sua última peça, “Rasga Coração”, cujo núcleo central enfoca as vivências históricas e políticas da família de um militante do Partido Comunista Brasileiro.

 Nossa vida em família expõe e analisa o processo de estrangulamento social e econômico da pequena classe média brasileira, ou seja, a classe que se tornara refém das políticas habitacionais do chamado “milagre econômico” do início dos anos 1970. As estruturas existentes de sobrevivência familiar, dentro desse contexto, não asseguram qualquer proteção contra a marginalização dos idosos, a redução das expectativas de futuro profissional para os mais jovens, e as medidas governamentais orientadas para a exploração da classe trabalhadora. Sem dispor de mecanismos que a protejam das pressões sociais que sofre ao longo das gerações, os membros da família em questão acabam por apelar para soluções provisórias e precárias que, uma vez postas em prática, serão de difícil e improvável reversão.

No centro do enredo o casal de idosos Sousa e Lu, moradores de Miguel Pereira, no Rio de Janeiro, precisam desocupar a casa que alugam por um preço simbólico há mais de trinta anos. Os escassos ganhos mensais de Sousa como aposentado são insuficientes para que ele assuma um novo contrato, mesmo em imóveis muito mais precários e distantes. Os filhos, envolvidos com a luta pela sobrevivência em suas respectivas famílias, têm limitações de espaço e de orçamento, e optam por uma temporária divisão de responsabilidades: Sousa vai para o apartamento da filha caçula, Cora, em São Paulo, e Lu para o apartamento do mais velho, Jorge, no Rio de Janeiro. Sousa e Lu são, assim, separados um do outro e submetidos a rotinas familiares que os fazem constatar a perda de seus papéis dentro do microcosmo familiar.

A situação se agrava com o passar dos meses, e revela a forma como cada um dos filhos, involuntariamente, reproduz, em suas condutas, a lógica do sistema que exclui Sousa e Lu do mundo produtivo, transformando-os em sucata afetiva diante da família e da sociedade.

A “família” não dispõe de mecanismos que a protejam das pressões econômicas e sociais que sofre e que vai introjetando ao longo das gerações. Essas pressões, naturalizadas e assimiladas, acabam por se impor através de medidas que, mesmo provisórias, serão de difícil e improvável reversão depois de adotadas.

A grande envergadura da pauta de assuntos da peça, tomados ao contexto das políticas econômicas da ditadura, extrapola os limites do drama geracional padrão, e apresentava uma forte demanda de recursos dramatúrgicos como a ironia, o humor, e a simultaneidade espacial de cenas que criem nexos associativos e contrastivos sem que se dilua o fio da meada ficcional do enredo. A estrutura dos diálogos e a utilização de diferentes níveis de linguagem ilustram as numerosas defasagens de comunicação e de percepção no interior da família.

Nossa vida em família é uma peça de referência, imprescindível para a discussão da dramaturgia de Oduvaldo Vianna Filho em seu aspecto mais pulsante: a análise e o debate de alguns dos mais importantes desafios que herdamos das décadas anteriores e diante dos quais ainda nos vemos no momento atual.

 

 

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Fagulha Entrevista - Maria Aparecida de Aquino - Historiadora-USP - Eleições 2024 e extrema-direita

 

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·         Extrema-direita

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