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16 de julho - 52 anos da morte de Oduvaldo Vianna Filho, dramaturgo fundamental do teatro brasileiro no século XX. Por Maria Sílvia Betti

 

16 de julho: 52 anos da morte de Oduvaldo Vianna Filho, 

dramaturgo fundamental do teatro brasileiro no século XX.

Por Maria Sílvia Betti



Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha

 

Em 16 de julho de 2026, completam-se 52 anos da morte de Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha). Vianinha sempre fez — e continua a fazer — imensa falta ao país. Sua vida transcorreu em meio a rápidas transformações políticas, sociais e econômicas. De um lado, houve avanços grandes e inéditos nas práticas culturais participativas; de outro, reveses históricos produziram retrocessos e, sob o regime ditatorial, a supressão das liberdades mais essenciais. Medidas destinadas a justificar a exploração e a concentração da riqueza foram impostas, e rapidamente naturalizaram a cooptação do proletariado e da pequena classe média, projetando-as cada vez mais no interior de estruturas de vida, trabalho e pensamento características do capitalismo dependente que passou a caracterizar a nação.

Escrevendo sob a perspectiva das classes trabalhadoras, ele produziu sua obra a partir da materialidade das lutas travadas em nosso solo, o que deu a seu pensamento estético e político um sentido hoje raro e pouco cultivado de mergulho analítico profundo e corajoso nos processos históricos nacionais. Sua produção colocou em foco a particularidade histórica inerente a seu momento, o que lhe permitiu tratar das injunções do capital, das cooptações ilusórias e falseadoras, da exploração do trabalho e das diferentes formas de alienação.

Empenhado em resgatar as forças de luta e de transformação da sociedade, Vianinha analisou os processos que regem as relações sociais, assim como as distorções e contradições acarretadas, dissecando-os em sua estrutura e expondo-os em seu funcionamento. O fio da meada histórico do percurso acidentado e sofrido de gerações e gerações, o mapeamento das lutas em seus avanços, os enfrentamentos e recuos, os becos sem saída de consciências premidas entre sonhos e questionamentos, tudo isso foi sôfrega e agudamente exposto e examinado em seu teatro.

Como dramaturgo, Vianinha questionou sempre suas próprias escolhas formais e temáticas, expondo e discutindo os bastidores de seu pensamento em bruto diante da matéria a ser figurada na dramaturgia. O amadurecimento de sua escrita e a contundência crítica inerente a ela atingiram seu ápice precisamente na fase em que ele se viu diante do mais agudo de todos os desafios: o da exiguidade do tempo em sua breve vida. Mesmo assim, esse amadurecimento e essa contundência não foram alcançados ou superados pelas gerações que se seguiram e pelas formas de trabalho teatral que predominam no presente. Tanto quanto seu tempo de vida e suas condições de trabalho permitiram, Vianinha tratou da particularidade histórica do país mais que qualquer outro dramaturgo de sua geração.


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* Maria Sílvia Betti é pesquisadora e docente Sênior no Programa de Estudos Linguísticos e Literários em Inglês-FFLCH/USP. Autora de Dramaturgia comparada Estados Unidos-Brasil.Três estudos. Cia.Fagulha.




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Artigo no livro PPGAC-USP 40 anos

Nossa vida em família: a dramaturgia de Oduvaldo Vianna Filho e os

desafios históricos da Forma – p. 91-109

Agenor Bevilacqua Sobrinho, com Introdução por Maria Sílvia Betti

http://www.livrosabertos.sibi.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/697

 

 

ODUVALDO VIANA FILHO - VIANINHA

Curso Dez vezes Vianinha - Sobre Oduvaldo Vianna Filho. Por Maria Sílvia Betti

Oduvaldo Vianna Filho e a tragédia. Por Maria Sílvia Betti

A longa noite de Cristal, de Oduvaldo Vianna Filho – Montagens de 1970 e 1976

Autoritarismo e luta política na pauta de uma peça fundamental do teatro brasileiro: Papa Highirte, de Oduvaldo Vianna Filho. Por Maria Sílvia Betti

“Papa Highirte”, de Oduvaldo Vianna Filho: apontamentos de análise dramatúrgica. Por Maria Sílvia Betti

Sobre A invasão dos bárbaros e Papa Highirte dirigidos por Tin Urbinatti. Por Maria Sílvia Betti

FFFFFIIIIICCHHHAAAAA TÉCNICA PAPA HIGHIRTE. Por Tin Urbinatti

Programa de Rasga Coração, peça de Oduvaldo Vianna Filho – Montagem Rio de Janeiro – Direção de José Renato

Dois aspectos da atualidade de Rasga coração. Por Maria Sílvia Betti

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Você sabia? Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

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Entrevista: Maria Silvia Betti fala sobre a publicação de “Rasga Coração” e as peças de Oduvaldo Vianna Filho. Por Fernando Pardal

“Rasga Coração” de Vianinha: um olhar crítico sobre as velhas formas do “novo”. Por Fernando Pardal

Carbono 14 estético. Em busca de dramaturgos essenciais. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

04 de junho de 2026 - 90º Aniversário de nascimento de Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha). Por Maria Sílvia Betti

Rasga Coração. Por Maria Sílvia Betti

Dramaturgia e luta política nos anos 1960 e 1970: o trabalho de João das Neves (1934-2018) e de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) - Disciplina de Pós-graduação. Parte 2 - Por Maria Sílvia Betti

Nossa vida em família. Por Maria Sílvia Betti

A longa noite de Cristal. Por Maria Sílvia Betti

Corpo a corpo e Allegro desbundaccio. Por Maria Sílvia Betti

Dura lex sed lex, no cabelo só Gumex e Papa Highirte. Por Maria Sílvia Betti

Moço em estado de sítio e Mão na luva. Por Maria Sílvia Betti

Show Opinião e Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Por Maria Sílvia Betti

Quatro quadras de terra e Os Azeredo mais os Benevides. Por Maria Sílvia Betti

Auto dos 99% e Brasil, versão brasileira. Por Maria Sílvia Betti

Chapetuba F. C. e A mais-valia vai acabar, seu Edgar. Por Maria Sílvia Betti

Bibliografia Ciclo VIANINHA. Por Maria Sílvia Betti

Texto a propósito do Ciclo de encontros - VIANINHA - dramaturgia, pensamento estético e luta política. Por Maria Sílvia Betti

04 de junho - aniversário de nascimento de Vianinha. Por Maria Sílvia Betti

VIANINHA - dramaturgia, pensamento estético e luta política. Ciclo de encontros quinzenais online

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ODUVALDO VIANNA FILHO: teatro, política, cinema e música popular. Visão de conjunto à luz de questões contemporâneas – Curso online em 2 módulos, com Maria Sílvia Betti (FFLCH-USP)

Apresentação - Oduvaldo Vianna Filho [1936-1974]: 2024, 50º aniversário de morte - Sobre Oduvaldo Vianna Filho - Por Maria Sílvia Betti

PAPA HIGHIRTE, de Oduvaldo Vianna Filho: a recepção crítica da montagem dirigida por Reinaldo Maia em 1986. Por Maria Sílvia Betti

VÍDEO - Fagulha Entrevista: Coletivo Viva Vianinha, que fez a leitura dramática de Se correr o Bicho pega, se ficar o bicho come (de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar)

Fagulha Entrevista: Coletivo Viva Vianinha, que fez a leitura dramática de Se correr o Bicho pega, se ficar o bicho come (de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar).

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, inaugura o Ciclo de leituras dramáticas de peças de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha

 

 

CINEMA

Um homem sem importância - 1971 - Alberto Salvá

As duas faces da moeda - 1969 - Domingos de Oliveira

O desafio – 1965 – Paulo Cesar Saraceni

Cinco vezes favela - 1962

 

 

VÍDEOS e outros

Chamada CASO ESPECIAL: O matador - 1988 (Globo)

Caso Especial Ep. O matador (COMPLETO) Rede Globo em 1988

Oduvaldo Vianna Filho - Vianinha - Por Glauber Rocha e Regius Brandão

Secretário de Cultura fala sobre reforma do Teatro Vianinha

Trechos do Caso Especial "Ratos e Homens" (11/04/1973)

Noites Brancas (06-02-1973)

Caso Especial - Medeia: Final online

Caso Especial - A Dama das Camélias (27-12-1972)

Enquanto a Cegonha Não Vem – 1974

Conheça a história de Vianinha, criador da Grande Família

Vianinha 90 encontra: Ocupação Vianinha

Como Vianinha convenceu Benedito Ruy Barbosa a enviar “Fogo frio” à Augusto Boal

Tríptico 247: 50 anos da morte de Vianinha - Oduvaldo Vianna Filho #160 23.08.24

Vianinha – Biografia

Moço em Estado de Sítio, de Oduvaldo Vianna Filho

O encontro com a obra de Vianinha - com René Piazentin

O "personagem dividido" na dramaturgia de Oduvaldo Vianna Filho

Peça "Vianinha conta o último combate do homem comum"

Túmulo do criador do seriado ( A grande família ), o diretor Vianinha

A formação política e teatral de Oduvaldo Vianna Filho - com Dênis de Moares

O Teatro Vianinha, um prédio histórico do município, vai passar por reforma completa

Prólogo não publicado de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, em "Rasga Coração"

Vianinha x Nelson Rodrigues

A gente chega ao fim da vida só com nossas palavras. Por Eduardo de Lima

Choros Nº. 10 • Villa-Lobos • Orquestra Sinfônica de São Paulo 



LIVROS DE VIANINHA

A longa noite de Cristal

Allegro desbundaccio

Corpo a corpo

Mão na luva

Moço em estado de sítio

Nossa vida em família

Papa Highirte

Rasga Coração

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come



Conheça nossos livros e colabore: https://www.ciafagulha.com.br/






04 de junho de 2026 - 90º Aniversário de nascimento de Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha). Por Maria Sílvia Betti

  

04 de junho de 2026 - 90º Aniversário de nascimento de

Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha).

Por Maria Sílvia Betti

 



Oduvaldo Vianna Filho pertence a uma geração de dramaturgos duramente desafiados pelas difíceis circunstâncias políticas que foram impostas ao país nas décadas de 1960 e 1970. Dentre todos os seus companheiros de geração, Vianna, por sua ligação com os setores de luta política na base da sociedade, foi talvez o mais intensamente desafiado. Isso não o impediu de problematizar sempre suas próprias escolhas formais e temáticas de artista e de criador: cada etapa de seu trabalho abria-se a considerações em que ele próprio expunha e discutia os bastidores de seu pensamento em bruto diante da matéria a ser figurada na dramaturgia.

Ao mesmo tempo, Vianna priorizou sempre o que entendia ser seu compromisso histórico com o pertencimento a uma totalidade constituída por trabalhadores dentro e fora do teatro, tomado não só como setor de trabalho artístico, mas também de luta por transformações na sociedade de seu tempo:

 

viemos aqui cumprir a nossa missão

a de artistas

não a de juízes de nosso tempo

a de investigadores

a de descobridores

ligar a natureza humana à natureza histórica

não estamos atrás de novidades

estamos atrás de descobertas

não somos profissionais do espanto

para achar a água é preciso descer terra adentro

encharcar-se no lodo

mas há os que preferem olhar os céus

esperar pelas chuvas.

 

(VIANNA FILHO, O. In PEIXOTO, Fernando. Vianinha. Teatro. Televisão. Política. São Paulo: Brasiliense, 1983.)

 

 

Por tudo isso registramos aqui a nossa homenagem aos 90 anos de seu nascimento e a seu trabalho, que nos inspirou sempre e que continua nos inspirando diante dos difíceis tempos que estamos vivendo!






* Maria Sílvia Betti é pesquisadora e docente Sênior no Programa de Estudos Linguísticos e Literários em Inglês-FFLCH/USP. Autora de Dramaturgia comparada Estados Unidos-Brasil.Três estudos. Cia.Fagulha.


Textos dramatúrgicos de Vianinha podem ser encontrados em: 

https://www.ciafagulha.com.br/





Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #7 - 12 de outubro de 2025 - domingo, às 20h - Cia. Fagulha

  

Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #7

12 de outubro de 2025 - domingo, às 20h

Cia. Fagulha 



Conjuntura, Arte e Cultura #7

 

 

Programa da Cia. Fagulha

AO VIVO: Domingo, às 20h.

Programa #7

12/10/2025.

 

 

Agenor Bevilacqua e Eça Pereira

conversam sobre conjuntura, arte e cultura (no Brasil e no mundo)

 

 

 

CONJUNTURA

 

 

Mundo

 

1. Organizações internacionais em questão.

 

2. Milei e a radicalização do neoliberalismo.

 

 

Brasil

 

3. Redes ou monopólios sociais?

 

 

ARTE E CULTURA

 

Filme

Um homem sem importância

Ano: 1971

País: Brasil

Duração: 1h11m

 

Direção e Roteiro: Alberto Salvá

 

Elenco: Oduvaldo Vianna Filho, Glauce Rocha e outros. 

 

 

 

 

Colabore com o Blog do Agenor Bevilacqua Sobrinho



Visite e Colabore:

https://www.ciafagulha.com.br/

 

 

Promoção continua: Para comemorar a condenação do chefe da organização criminosa golpista e de seus cúmplices, a Editora Cia. Fagulha concede 20% de desconto em seus títulos próprios até o final de outubro de 2025.

 

 

 

 

Conjuntura, Arte e Cultura – Programa #6

 

Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #5

 

Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #4

 

Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #3

 

Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #2

 

Conjuntura, Arte e Cultura - Programa #1



Rasga Coração. Por Maria Sílvia Betti

 

Rasga Coração. Por Maria Sílvia Betti








Rasga Coração (1972-1974)

 

A leitura histórica do país construída em Rasga Coração fundamenta-se na ideia exposta por Vianna no pequeno texto de apresentação da peça: o “novo” não é necessariamente revolucionário, e o verdadeiramente revolucionário não é necessariamente “novo” em suas estratégias e metas. O “velho” de hoje e o “novo” de ontem relacionam-se num jogo temporal de simultaneidades e de sequências cênicas, ora aproximando-se pela analogia, ora distanciando-se pelas contradições.

O fio histórico que perpassa a estrutura de Rasga Coração representa um corte transversal ao longo de setenta anos da vida do país sob o prisma das lutas políticas travadas pela esquerda — entenda-se que a esquerda, no caso, é vista a partir do percurso do PCB, personificado na perspectiva de Manguari Pistolão, o protagonista, e de seu camarada Camargo Velho, que abrira mão da própria juventude em prol do empenho pela luta política dentro do partido.

A peça acompanha o processo de declínio das oligarquias rurais e da Primeira República, no início do século XX, a crise de 1929, a ascensão do Tenentismo em meados dos anos 1920, a queda de Washington Luís, em 1930, o Estado Novo, instituído em 1937, a Intentona Comunista, de 1935, o Levante Integralista, de 1938, o processo de industrialização nos anos 1940, a implantação das leis trabalhistas, a campanha pelo petróleo, no início da década de 1950 e finalmente a época da ditadura civil-militar e da contracultura na década de 1970.

 

 

PLAYLIST RASGA CORAÇÃO - Editora Temporal

https://www.youtube.com/playlist?list=PLN_ojX50FvlgOKzCeQej1ZZsKqcRXnXFX

 

CHOROS N. 10 DE VILLA LOBOS (Destaque para a valsa RASGA O CORAÇÃO, de Anacleto de Medeiros e Catulo da Paixão Cearense, a partir da minutagem 6.58)

https://www.youtube.com/watch?v=VZjv4l9IUuw



Ciclo de encontros quinzenais online

ODUVALDO VIANNA FILHO [1936-1974]:

dramaturgia, pensamento estético e luta política.


Inscrições gratuitas

https://forms.gle/58jmwmc2JXdMf23s7

 

 

25 de outubro – Rasga Coração

https://www.youtube.com/watch?v=gAmfLidCNDo

 

11 de outubro – Nossa vida em família

https://www.youtube.com/watch?v=aCogisLYfFA

 

27 de setembro – A longa noite de Cristal

https://www.youtube.com/watch?v=R_RF8GQnUk0

 

13 de setembro – Corpo a corpo Allegro desbundaccio

https://www.youtube.com/watch?v=mBA0qhjklEo

 

30 de agosto – Dura lex sed lex, no cabelo só Gumex e Papa Highirte

https://www.youtube.com/watch?v=YYMduFt5MCU  

 

16 de agosto – Moço em estado de sítio e Mão na luva

https://www.youtube.com/watch?v=ULh55cdgVjE

 

02 de agosto — Show Opinião e Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

https://www.youtube.com/watch?v=JYCZmcAEwWs

 

19 de julho — Quatro quadras de terra e Os Azeredo mais os Benevides

 https://www.youtube.com/watch?v=G4g050M3ByU

 

05 de julho – Auto dos 99%. Ou como a Universidade capricha no subdesenvolvimento e Brasil versão brasileira

https://www.youtube.com/watch?v=w1QWLElhkbo&t=1s

 

21 de junho – Chapetuba Futebol Clube e A mais valia vai acabar, seu Edgar

https://www.youtube.com/watch?v=5pHJ0U7l5ic&t=6s

 

 

 

Apoio: Blog da Cia. Fagulha

https://blogdaciafagulha.blogspot.com/

 

Realização:

https://www.ciafagulha.com.br/

 


Dramaturgia e luta política nos anos 1960 e 1970: o trabalho de João das Neves (1934-2018) e de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974) - Disciplina de Pós-graduação. Parte 2 - Por Maria Sílvia Betti

 

Dramaturgia e luta política nos anos 1960 e 1970:

o trabalho de João das Neves (1934-2018) e de Oduvaldo Vianna Filho (1936-1974)


PARTE 2 da disciplina de pós-graduação do Programa de Artes Cênicas da ECA USP 

Ministrante Profª. Drª. Maria Sílvia Betti  

 

Sextas-feiras das 9h às 12h

 

PRESENCIAL: Edifício Antonio Cândido (PRÉDIO DE LETRAS) DA FFLCH USP, Sala 134, Cidade Universitária Campus do Butantã

 

ONLINE: Enviar número de celular e e-mail informando interesse

Whatspp (11) 99374 - 2566

 

A DRAMATURGIA DE ODUVALDO VIANNA FILHO

 

Aula 10- (18 de outubro). Discussão da peça “Se correr o Bicho pega, se ficar o Bicho come”.

 

Aulas 11 - (25 de outubro) “Papa Highirte” (1968).

 

Aula 12 – (01 de novembro). “A longa noite de Cristal” (1972)

 

Aula 13 – 0(8 de novembro). “Nossa vida em família”. (1971-1972)

 

Aula 14 - (22 de novembro). “Rasga Coração” (1974).

 

Aula 15 – (29 de novembro) Debate final.

 

PROGRAMA, BIBLIOGRAFIA E ACESSO LIVRE AOS TEXTOS PELO MOODLE ABERTO DA DISCIPLINA:

https://edisciplinas.usp.br/course/view.php?id=121269#section-10



Nossa vida em família. Por Maria Sílvia Betti

 


Nossa vida em família. Por Maria Sílvia Betti







Nossa vida em família (1971)

 

 Nossa vida em família, de 1971, é a reelaboração de Vianna para a peça “Em família”, que havia escrito em 1970 em conjunto com Paulo Pontes e Ferreira Gullar.

Relações familiares e intergeracionais tinham se feito presentes, em alguma medida, em três de suas peças anteriores: “Brasil versão brasileira” e “Quatro quadras de terra”, escritas no início dos anos 1960 dentro do CPC, e “Moço em estado de sítio”, de 1965, que permanecera inédita. Nos anos seguintes, Vianna assumiria (juntamente com Armando Costa), a autoria do seriado televisivo “A grande família”, que se tornaria um sucesso de público sem precedentes. A família voltaria a ser abordada em sua última peça, “Rasga Coração”, cujo núcleo central enfoca as vivências históricas e políticas da família de um militante do Partido Comunista Brasileiro.

 Nossa vida em família expõe e analisa o processo de estrangulamento social e econômico da pequena classe média brasileira, ou seja, a classe que se tornara refém das políticas habitacionais do chamado “milagre econômico” do início dos anos 1970. As estruturas existentes de sobrevivência familiar, dentro desse contexto, não asseguram qualquer proteção contra a marginalização dos idosos, a redução das expectativas de futuro profissional para os mais jovens, e as medidas governamentais orientadas para a exploração da classe trabalhadora. Sem dispor de mecanismos que a protejam das pressões sociais que sofre ao longo das gerações, os membros da família em questão acabam por apelar para soluções provisórias e precárias que, uma vez postas em prática, serão de difícil e improvável reversão.

No centro do enredo o casal de idosos Sousa e Lu, moradores de Miguel Pereira, no Rio de Janeiro, precisam desocupar a casa que alugam por um preço simbólico há mais de trinta anos. Os escassos ganhos mensais de Sousa como aposentado são insuficientes para que ele assuma um novo contrato, mesmo em imóveis muito mais precários e distantes. Os filhos, envolvidos com a luta pela sobrevivência em suas respectivas famílias, têm limitações de espaço e de orçamento, e optam por uma temporária divisão de responsabilidades: Sousa vai para o apartamento da filha caçula, Cora, em São Paulo, e Lu para o apartamento do mais velho, Jorge, no Rio de Janeiro. Sousa e Lu são, assim, separados um do outro e submetidos a rotinas familiares que os fazem constatar a perda de seus papéis dentro do microcosmo familiar.

A situação se agrava com o passar dos meses, e revela a forma como cada um dos filhos, involuntariamente, reproduz, em suas condutas, a lógica do sistema que exclui Sousa e Lu do mundo produtivo, transformando-os em sucata afetiva diante da família e da sociedade.

A “família” não dispõe de mecanismos que a protejam das pressões econômicas e sociais que sofre e que vai introjetando ao longo das gerações. Essas pressões, naturalizadas e assimiladas, acabam por se impor através de medidas que, mesmo provisórias, serão de difícil e improvável reversão depois de adotadas.

A grande envergadura da pauta de assuntos da peça, tomados ao contexto das políticas econômicas da ditadura, extrapola os limites do drama geracional padrão, e apresentava uma forte demanda de recursos dramatúrgicos como a ironia, o humor, e a simultaneidade espacial de cenas que criem nexos associativos e contrastivos sem que se dilua o fio da meada ficcional do enredo. A estrutura dos diálogos e a utilização de diferentes níveis de linguagem ilustram as numerosas defasagens de comunicação e de percepção no interior da família.

Nossa vida em família é uma peça de referência, imprescindível para a discussão da dramaturgia de Oduvaldo Vianna Filho em seu aspecto mais pulsante: a análise e o debate de alguns dos mais importantes desafios que herdamos das décadas anteriores e diante dos quais ainda nos vemos no momento atual.

 

 

Ciclo de encontros quinzenais online

ODUVALDO VIANNA FILHO [1936-1974]:

dramaturgia, pensamento estético e luta política.


Inscrições gratuitas

https://forms.gle/58jmwmc2JXdMf23s7


 

27 de setembro – A longa noite de Cristal

https://www.youtube.com/watch?v=R_RF8GQnUk0


13 de setembro – Corpo a corpo Allegro desbundaccio

https://www.youtube.com/watch?v=mBA0qhjklEo

 

30 de agosto – Dura lex sed lex, no cabelo só Gumex e Papa Highirte

https://www.youtube.com/watch?v=YYMduFt5MCU  

 

16 de agosto – Moço em estado de sítio e Mão na luva

https://www.youtube.com/watch?v=ULh55cdgVjE

 

02 de agosto — Show Opinião e Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

https://www.youtube.com/watch?v=JYCZmcAEwWs

 

19 de julho — Quatro quadras de terra e Os Azeredo mais os Benevides

 https://www.youtube.com/watch?v=G4g050M3ByU

 

05 de julho – Auto dos 99%. Ou como a Universidade capricha no subdesenvolvimento e Brasil versão brasileira

https://www.youtube.com/watch?v=w1QWLElhkbo&t=1s

 

21 de junho – Chapetuba Futebol Clube e A mais valia vai acabar, seu Edgar

https://www.youtube.com/watch?v=5pHJ0U7l5ic&t=6s

 

 

Apoio: Blog da Cia. Fagulha

https://blogdaciafagulha.blogspot.com/

 

Realização:

https://www.ciafagulha.com.br/

 


 

16 de julho - 52 anos da morte de Oduvaldo Vianna Filho, dramaturgo fundamental do teatro brasileiro no século XX. Por Maria Sílvia Betti

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