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A Guerra e outros combates. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho


A Guerra e outros combates. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho


Orcid: orcid.org/0000-0003-4528-8776

Publicado anteriormente em: Revista UniABC - Humanas, v. 2, p. 37-42, 2011.


NOTA PRELIMINAR, de Maria Sílvia Betti: 

Este texto foi reelaborado a partir de um artigo acadêmico anterior, publicado entre 2010 e 2011 na Revista UniABC - Humanas, publicação da UniABC. Essa Universidade encontrava-se então sob o controle administrativo do grupo Anhanguera, que em 2013 fundiu-se à rede Kroton, criando assim a maior companhia de educação do mundo. 

Demissões em massa dos professores da UniABC vinham sendo realizadas desde 2010, e a fusão com a Kroton deu prosseguimento acelerado a essas megademissões, numa demonstração cabal da prevalência da lógica empresarial predatória e precarizante em relação ao ensino e ao trabalho docente.

A publicação dele no blog da Editora Cia. Fagulha tem a finalidade de alertar os leitores sobre a necessidade da articulação de uma luta continuada e intensa pela defesa da educação e do trabalho formativo exercido pelos professores em todos os seus níveis.





A Guerra e outros combates. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho [1] 


Resumo
Considerando o contexto histórico da produção da obra do dramaturgo e pensador alemão Bertolt Brecht (1898-1956), analisamos, numa de suas obras iniciais, como ele avalia o significado da rebelião do inverno de 1918-1919.

Palavras-chave
Brecht; rebelião; teatro burguês; teatro político; distanciamento.



Manke, o garçom --- Até as estrelas saem da linha, quando uma pessoa assiste friamente a uma injustiça.
(BRECHT, 1986, p. 111)


Introdução

O contexto histórico da produção da obra do dramaturgo e pensador alemão Bertolt Brecht (1898-1956), permite-nos compreender as adversidades de seus contemporâneos nos conturbados anos pós e entreguerras.
Sabemos que a Alemanha chega à Guerra por interesses imperiais. Os participantes do conflito acreditam ingenuamente que sairão vitoriosos (SCHORSKE, 1988).
Humilhada pela derrota na 1ª Guerra (1914-1918) e pelo Tratado de Versalhes [2], a Alemanha passa por dificuldades imensas (VON ECKARDT & GILMAN, 1996).
A derrota arrasadora se reflete nas condições de vida da população. No período da Guerra, a indústria incipiente é convertida para a produção bélica, gerando fome,
Brecht, servindo como enfermeiro, tem seu patriotismo comutado em horror ao observar as desgraças e atrocidades que se banalizam na guerra. O que provoca nele uma série de mudanças e paulatinamente lhe traz um redimensionamento de sua visão de mundo.
A engrenagem que faculta esses tipos de acontecimentos para ele ainda não é clara. Mas ele já está convertido em pacifista. E a sociedade militarizada o atemoriza.
O teatro de Brecht é produzido num período de guerras e entreguerras; assim, em grande medida reflete a problemática da guerra, dos soldados que voltam como aleijões, sem esperanças; às vezes, com suas medalhas; mas com a vida finalizada, permanecem como cadáveres que andam.

Combates

Neste trabalho, vamos nos deter na maneira como Brecht avalia o significado da rebelião do inverno de 1918-1919, na Alemanha, por meio da representação dela numa de suas peças da juventude.
Tambores na Noite [3] é uma peça que passou por modificações posteriores que não lhe retiraram o conteúdo pessimista, diretamente relacionado com o clima da época: final da 1ª Guerra e os destroços de pessoas e coisas por toda parte; além disso, a tentativa frustrada da Liga Espartaquista, fundada em 1915, de derrubada do governo imperial alemão e da conquista do poder político pelos trabalhadores.
Portanto, tendo como pano de fundo a revolta espartaquista, Brecht contará o drama [4] do soldado Andreas Kragler que volta depois de 4 anos para casa, vindo da Argélia, no Continente Africano, onde era prisioneiro de guerra. Ele permanece na memória de Anna Balicke, sua noiva, como assombração, atormentando-a. Nada de notícias ou contatos, o que faz com que os Balicke presumam a morte de Kragler. Tal ideia encontra em Karl Balicke, o pai da moça, um entusiasta visceral, uma vez que não se importa com a sorte (a desgraça) do soldado; preocupa-se apenas em sair da miséria [5] e vê como salvo-conduto para esse percurso se concretizar seu desejo de rifar a filha para Murk, sujeito endinheirado que fez fortuna às custas das tragédias da guerra e que engravidou Anna.
Karl Balicke, ao falar sobre o efeito da desorganização social provocada pela guerra, da indisciplina e do embrutecimento dos soldados e suas ações sem limites, aproveita para acusar os revolucionários, potenciais destruidores de seu sonho de ascensão social meteórica.
Por sua vez, Murk diz cinicamente ter subido na vida a duras penas (produz cestos para munição). Seu “futuro” sogro o adverte sobre a incerteza deste negócio.

E quando a guerra acabar? O melhor seria produzir carrinhos de bebê.
(SOA O HINO ALEMÃO)
Brindam. A guerra para nós foi uma sorte, regozijam-se.
(BRECHT, 1986, p. 85)

Mas é Babusch, o jornalista, quem anuncia o rompimento de acordos e a mobilização espartaquista, bem como indica a posição contraditória da imprensa sobre o conflito: “o sabá das bruxas vermelhas”, “são uns canalhas”, “o damasco está caro”, “a bandeira deles é a preguiça”, “enquanto os famintos uivam, a alta sociedade refestela-se nos salões de baile”.
Vão ao Bar Picadilly para comemorar o noivado, e é lá que Kragler, esquálido e maltrapilho, aparece assombrando Anna e apavorando a mãe dela. A luta social e o drama pequeno-burguês correm paralelamente.
Kragler tenta contar seus sofrimentos de guerra, suas lembranças. Porém, enquanto Murk despreza Kragler por sua aparência e penúria — oferecendo-se para comprar suas botas para o Museu Militar — o pai de Anna reforça a humilhação, dizendo ao soldado que seus feitos serão recompensados pelos livros de história; todavia, como nos apontamentos do contador não há tilintar de moedas, o melhor mesmo seria que ele voltasse para a África.
Kragler, apesar de seu abatimento, tenta reagir erguendo Murk pelo colarinho e clamando para Anna acompanhá-lo, a despeito de que ele seja pobre.
Em certo momento, os tiros do combate são acompanhados pela Internacional, o que faz Karl Balicke, feroz reacionário, reconhecer em Kragler o parentesco com os revoltosos [6] “comedores de carne humana”, os quais deveriam ser destruídos.
No terceiro ato, intitulado Cavalgada das Valquírias [7], as personagens tropegamente tentam encontrar a si mesmas e aos outros, mas desencontram-se: os mortos são tantos que excedem sua obstinação.
Anna busca Kragler, que indeciso se participa ou não da revolta [8], “resolve” entrar com Marie, a prostituta, num bar onde o dono canta a Balada do soldado morto (4º ato).
Kragler embebeda-se e não vê mais no mundo espaço para a justiça, pois até mesmo os céus estariam loteados (Ibidem, p. 119); e é total a indiferença para com os que foram à guerra. Enquanto isso, entra uma vendedora de jornais anunciando as manchetes de jornais sobre a revolta.
No 5º ato, ao avistar Anna, deseja-a, embora a insulte ao chamá-la de “puta”; recobra parcialmente seus sentidos e renuncia a participar da revolta, vista por ele como não sendo mais do que uma aventura romântica, e, assim, não valendo arriscar a própria pele. Kragler expressa sua angústia ao não perceber a possibilidade de mudanças; como o vazio é enorme, contenta-se em manter o existente. Ironiza o movimento:

Amanhã de manhã a gritaria terá acabado, estarei deitado em minha cama e reabastecerei a raça de ‘porcos’ para que eu não morra (Ibid., p. 128).

Podemos ler aqui a alfinetada mordaz dada pelo autor naqueles (os porcos que vão continuar a se reproduzir) que não viram na revolução a oportunidade de derrocada do império.

No final, apela para que:

(...) não façam essas caras tão românticas, cambada de usurários (...) Seus estranguladores... (Loc. cit.)

Rufa o tambor e o lança em direção à lua (um lampião); o tambor e a lua caem dentro do rio, onde não existe água. Ou seja: atenção!, aqui é teatro! Local de entretenimento, mas também de reflexão.


Conclusão

Brecht reconheceu que não havia avaliado em toda a sua extensão o significado da rebelião do inverno de 1918-1919. O dramaturgo alemão praticara, de maneira incipiente, o “distanciamento” (um dos cernes de sua teoria dramática): em Munique, onde estreou, os biombos de papelão vermelho de cerca de dois metros de altura representavam paredes de um quarto, atrás dos quais se via a cidade grande, Berlim, pintada à maneira infantil; e uma lua que brilhava vermelha quando Kragler aparecia; os cartazes que pediam ao público para não envolver-se emocionalmente (“Não façam essas caras tão românticas”). Ele afirma: “não consegui mostrar a revolução ao espectador, exceto através dos olhos do ‘herói’ Kragler, e ele a via como algo romântico. A técnica do ‘distanciamento’ ainda não estava sob meu controle” (BRECHT, apud EWEN, 1991, p, 95).
Posteriormente, Brecht desenvolverá largamente o distanciamento, que possibilita crítica fecunda da ideologia.
Concebido para historicizar os acontecimentos representados, ou seja, dar-lhes a dimensão temporal, significativa e particular, o distanciamento entra em contraposição ao teatro burguês, que dava ênfase à intemporalidade de seu objeto, julgando existir uma essência humana eterna e universal. Esta perspectiva tem um fulcro claramente ideológico: manter estagnada a vida e o status quo (BRECHT, 1967, p. 111-112).
Pelo distanciamento operado no espaço e no tempo, questões cotidianas, tidas como habituais e eternas, podem ser vistas com estranheza e, portanto, retirada a crosta do cotidiano, cria-se a possibilidade de serem modificáveis. Esclarecer o que é o mundo e perceber sua formação e suas contradições, para que estas sejam superadas.
Entretanto, como dissemos, no momento da produção de Tambores na Noite, tais procedimentos eram apenas embrionários.



Referências bibliográficas

BRECHT, Bertolt. Tambores na noite. In: ______. Teatro Completo. Tradução Fernando Peixoto. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. v. 1, p. 75-128.

______. Teatro dialético: ensaios. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,1967.

EWEN, Frederic. Bertolt Brecht: sua vida, sua arte, seu tempo. São Paulo: Globo,1991.

ROSENFELD, Anatol. O teatro épico. 6 ed. São Paulo: Perspectiva, 2008.

SCHORSKE, Carl E. Viena fin-de-siècle: política e cultura. Campinas: Unicamp; São Paulo: Companhia das Letras,1988.

VON ECKARDT, Wolf; GILMAN, Sander L. A Berlim de Bertolt Brecht: um álbum dos anos 20. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996.


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Notas

[1] Agenor Bevilacqua Sobrinho é doutor em Artes Cênicas pelo CAC/ECA-USP e Mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (IA-UNESP). É pesquisador do Grupo de Pesquisa Estudos histórico-críticos e dialéticos de teatro estadunidense e brasileiro (CNPq). Editor, dramaturgo e escritor, é autor de Atualidade/utilidade do trabalho de Brecht. Uma abordagem a partir do estudo de quatro personagens femininasA LenteA Guerra de YuanO Rato Pensador (todos pela Editora Cia. Fagulhawww.ciafagulha.com.br), além de diversos artigos sobre arte crítica, teatro, política e sociologia em revistas especializadas, como A resistível ascensão de Bushad’óleo (Margem Esquerda n. 5, Boitempo Editorial), Bertolt Brecht nos EUA: um refugiado anticapitalista na pátria do capital (Rebento: Revista de Artes do Espetáculo, v. 5, 2015) e A respeito de Ensaios sobre Brecht, de Walter Benjamin (Revista Dramaturgia em foco, v. 2, n. 2, p. 151-156, 2018).
Orcid: orcid.org/0000-0003-4528-8776. E-mail: editora@ciafagulha.com.br

[2] De 28/06/1919. Implica em perda de territórios, de colônias e proibição de se rearmar, entre outras restrições.

[3] Tambores na Noite (1919). Estreia: 29/09/1922 – Munique.

[4] Ou comédia, como Brecht chamava esta obra, pois Kragler renuncia à luta que também poderia beneficiá-lo, enquanto o drama verdadeiro é dos operários que abraçaram o combate.

[5] Cuja penúria o obriga a fazer barba na penumbra e, em consequência, se corta: “Um corte é grátis, mas a luz custa dinheiro” (BRECHT, 1986, p. 80).

[6] Uma das reivindicações era a indenização aos que foram à Guerra.

[7] Com referência irônica às Valquírias, de Wagner. Na mitologia escandinava, evoca as divindades, mensageiras de Odim (deus da guerra e da sabedoria), cuja atribuição era recolher os heróis mortos nos campos de batalha.

[8]
Babusch, o jornalista, vê no movimento uma grande ilusão: “(a) plebe imagina ter chegado o momento de ajustar velhas contas!” (BRECHT, 1986, p.111)  



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Conheça também:



Atualidade/utilidade do trabalho de Brecht [Uma abordagem a partir do estudo de quatro personagens femininas.]
Autor: Agenor Bevilacqua Sobrinho
Editora: Cia. Fagulha
ISBN 13:       978-85-68844-01-4
Páginas:       408










WhatsApp: (11) 95119-8357



Como funciona a teoria do caos na prática. Parte 1 e 2. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho


Como funciona a teoria do caos na prática. Parte 1 e 2. 
Por Agenor Bevilacqua Sobrinho [1]


Como funciona a teoria do caos na prática. Parte 1
Publicado originalmente em:

Teoria do caos: Ou como se apropriar do que é dos outros implantando o caos.
1. Todos/as que têm mais de dois neurônios (ops!, isso exclui patOtários e assemelhados) sabem que o Brasil sofreu um golpe de Estado.
2. Temer/Bolsonaro é o retrato de seus apoiadores (os golpistas profissionais, que se locupletam com o golpe; e os patOtários, que serão prejudicados pelas “reformas” do usurpador).
3. Muitos/as acreditam, com certa razão, que a incompetência de Temer/Bolsonaro e seus bajuladores é a responsável pelo caos que assistimos ao vivo, 24 horas por dia, desde a ascensão da guadrilha PMDB&PSDB, sem votos (sem legitimidade), ao poder.
4. Entretanto, apesar de concordarmos com o fator incompetência, amplamente identificado por analistas de diversos quadrantes, acreditamos que haja uma força gravitacional mais forte a presidir esse estado de coisas.
5. Não, leitores/as, não estamos nos referindo a forças sobrenaturais, diabólicas ou congêneres.
6. Sempre seguindo a racionalidade, para não cairmos em desvãos desnecessários e improdutivos, chegamos a conclusão distinta de demais observadores/as da realidade brasileira e de seu real significado.
7. Entendemos que as teorias mais simples são mais capazes de explicar um fenômeno do que as mais complexas.
8. Portanto, a atenção ao que é escancarado, porém utilizado em outras ocasiões como fator de distração, pode ser a chave de compreensão que buscamos para responder ao questionamento principal sobre o que ocorre no Brasil.
9. Nesse sentido, chegamos à seguinte conclusão: o caos instalado no país é produzido de forma deliberada. Antes de ficarem assustados/as e/ou incrédulos/as, acompanhem até o último item.
10. Como funciona a teoria do caos na prática? É muito fácil. Vejamos como as coisas se sucederam do golpe para cá:
10.1 Golpe de Estado parlamentar-jurídico-policial-midiático-financeiro apeou do poder uma presidenta honesta e empossou uma quadrilha, sem votos, para assaltar sem restrições o Estado e entregar as riquezas do Brasil às multinacionais (questão geopolítica colonial), que ofereceram suporte de diversas naturezas aos golpistas internos.
10.2   Destruir direitos sociais e políticos, entregar de bandeja a soberania nacional, ou seja, todas as riquezas e patrimônios do povo brasileiro.
10.3 Esses compromissos assumidos pelos usurpadores tiveram aval/beneplácito das instituições que, legalmente, estariam encarregadas de bloquear o estupro da Constituição, mas fizeram vistas grossas à passagem e marcha batida do exército imperial, diretamente, ou através de seus acólitos domésticos.
10.4 Os enormes déficits fiscais do (des)governo Temer/Bolsonaro subirão de forma ainda mais gravosa. Chegaremos em breve à insolvência e paralisia de serviços públicos numa conjuntura de depressão econômica, na qual parcelas significativas das classes médias estão se proletarizando e não terão a oferta de serviços básicos do SUS (contra os quais vociferavam) e demais atendimentos do Estado, em processo de contínuo ataque e sabotagem pelos neoliberais tresloucados e suas fórmulas mágicas de acabar com a pobreza aniquilando os pobres.
10.5 Ou seja, quando (quase) todos/as estiverem convencidos de que não há saída, os luminares de tais catástrofes, com o cinismo peculiar, oferecerão a redenção do caos por eles promovido.
10.6 Então, ouviremos em cadeia nacional, um representante das oligarquias (seus porta-vozes, por exemplo) apresentar, como salvação única e emergencial, a entrega da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, das terras, ares e mares, quer dizer, de tudo, ao Grande Irmão do Norte, que, justificadamente, em sua imensa... (imagem desloca-se para o real mandante; opção de áudio original em inglês ou dublagem):
“Afeição por esses tristes tópicos, assumirão o sacrifício de gerir aquilo que os brazucas são incapazes. É claro que haverá custos para tomarmos essas responsabilidades. O pedágio, naturalmente, conduzirá à transformação dessas terras do Sul em protetorados. E para que esse povinho selvagem seja, finalmente, civilizado, distribuiremos cursinhos de inglês online gratuitos, cuja única lição será aprender a dizer: ‘Yes, sir!’. Não é uma maravilha?”, indaga envaidecido o Tio Sam.
10.7 Teremos o coro uníssono de patOtários ecoando Brasil afora a lição gentilmente ensinada: “Yes, sir!”
10.8 O analfabetismo político tem cura. O caos foi meticulosamente planejado para, ao final, aparecer com a “única resposta” ao problema que interessa às oligarquias internacionais e suas subalternas “nacionais” em nosso território.
10.9 Não somos obrigados a passar por todas as etapas do golpe e, bovinamente, ficarmos lamentando a fascistização do país.
10.10 Vamos resistir?


Palavras-chave, Parte 1
Brasil colonial, Como funciona a teoria do caos na prática, destruição de direitos sociais e trabalhistas, fim da Soberania, Golpe de Estado, protetorado, quadrilha, teoria do caos, Tio Sam, yes sir.



Como funciona a teoria do caos na prática – Parte 2



Teoria do caos:
Plante o caos e colha a Eletrobras, Petrobras, Casa da Moeda, BB, CEF etc.
Baratinho, baratinho...
Quiçá, de graça!
KKK! (Ku Klux Klan)

1. Em Como funciona a teoria do caos na prática – Parte 1, demonstramos a estratégia pela qual os senhores das Casas Grandes (estrangeira e doméstica) resolveram tomar de assalto o poder, via golpe de Estado, para levar na mão grande o patrimônio do povo brasileiro construído por diversas gerações.
2. O PCC – Primeiro Comando do Capital [não confundir com o sócio homônimo, o da Capital, incumbido do varejo] administra a expansão do caos para oferecer a redenção da “eficiência do livre mercado” e outras quimeras facilmente assimiladas por lobotomizados patOtários.
3. A devastação operacionalizada pelos cortes orçamentários draconianos — aparentemente ofertados aos narcotizados da Globonews como resposta correta “à ineficiência do setor público” —, visa fomentar na massa boçal de camisetas da cbf a impressão de que apenas a privataria total e ilimitada poderia nos retirar do fundo do poço incessantemente cavado pelos mesmos promotores que oferecem, novamente, a “solução” do entreguismo despudorado.
4. O país fica de joelhos (ou de quatro?) aguardando as “boas novas” arquitetadas em suas costas.
5. Multinacionais, lambendo os beiços famintos diante da pusilanimidade da presa, ordenam a sequência dos pratos do menu nacional a serem servidos pelos mercenários colocados no poder sem votos.
6. Algumas famílias cultivam um interno folclore histórico de que algum de seus membros teriam, em um passado remoto, sido trocados pelo próprio peso em ouro para resgatá-los da lambança de haver supostamente comprado uma máquina de fazer dinheiro nos EUA e evitar a pena de morte naquele país. O janota peralta voltaria para o seio familiar oligárquico, cujas economias ficaram irremediavelmente combalidas.
7. No caso tupiniquim, a quadrilha que se apropriou ilegitimamente do poder — avalizada pelo Judiciário, mídia corporativa, MP, polícias e demais integrantes da orquestra conservadora/reacionária —, tem um apetite inesgotável, pantagruélico e absolutamente infinito.
8. Nada melhor do que ter sua própria Casa da Moeda, privatizando-a, para emitir sem restrições o numerário requerido pelos colarinhos brancos das hienas golpistas.
9. A paga pelos serviços sujos de aniquilar a construção do Brasil pelo tsunami neoliberal, finalmente, encontrou um meio de satisfazer a necessidade de acalmar as panças oceânicas das excelências comedoras de dinheiro.
10. De seu lado, os agentes internacionais do golpe, entendendo a disposição no auxílio inexcedível de dilapidar o país em seus prepostos, resolveram acelerar o bote e roubar tudo em “24 horas”.
11. A justiça burguesa aquiesce, pois compreende que o saque colonial é “pró-mercado”, nas gentis palavras de um dos chefetes designados para abrir alas aos conquistadores ávidos do alheio, mas sem obrigação de enviar a 4ª Frota ou qualquer arsenal, dada as condições de completa inexistência de anteparos e defesas edificadas, que, se houvessem, poderiam ao menos esboçar alguma reação à marcha atroz de exércitos inimigos. 
12. Uns nomeariam como Cavalos de Troia esses doadores da riqueza nacional.
13. Na realidade, não importam tanto as nomenclaturas, mas a ação deletéria destruidora de esperanças futuras porque o próprio presente coletivo é enterrado sem-cerimônia pelo movimento Brasil livre: de leis protetivas aos trabalhadores; de respeito por sua gente mais humilde; de regulações econômicas e sociais contra a voracidade capitalista; de dignidade e esperança para 99% da população.
14. Entretanto, mesmo os maiores impérios não saem impunes de suas ações criminosas. A aparente calmaria desfrutada pelos salteadores não é eterna. Não apenas homens-bomba estão digerindo, como, também, semeiam dispositivos de revolta sequer imaginados por essas plagas.
15. Nesse sentido, Temerlão / Bolsolão são apenas súditos do Big Boss.
16. Como Eduardo Cunha, que tivera livre trânsito em seus delitos para trucidar a democracia embrionária no país, Temer/Bolsonaro e seus comparsas igualmente serão poupados, uma vez que realizam ordens superiores advindas do Grande Irmão do Norte.
17. Os bambus e outras obsolescências embusteiras serão exibidos a mancheia pelos gentis procuradores, em sua encenação ilusória de resistência das personagens ‘destemidas’ em nada fazer de concreto para deter os gângsteres.
18. Como sabemos, as vulgaridades dos apoiadores nazistas-cristãos permitiram o rompimento de diques e, agora, os que não tiverem os equipamentos de segurança de emergência serão tragados pela correnteza cruel e soterradora do neoliberalismo.
19. Estamos diante de mais um capítulo da luta de classes, a mesma que os patrões alegam não existir.
20. Do mesmo jeito que catequizam com o embuste de que “falar em esquerda e direita é ultrapassado”.
21. Terminamos por aqui como fizemos na Parte 1.
22. Não somos obrigados a passar por todas as etapas do golpe e, bovinamente, ficarmos lamentando a fascistização do país.
23. Vamos resistir?


Palavras-chave, Parte 2
Cavalo de Tróia, Como funciona a teoria do caos na prática 2, entreguismo, esquerda e direita em política, imperialismo, KKK, Ku Klux Klan, luta de classes, neoliberal, Privataria, rentistas, resistência.



[1] Agenor Bevilacqua Sobrinho é doutor em Artes Cênicas pelo CAC/ECA-USP e Mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (IA-UNESP). É pesquisador do Grupo de Pesquisa “Estudos histórico-críticos e dialéticos de teatro estadunidense e brasileiro” (CNPq). Editor, dramaturgo e escritor, é autor de Atualidade/utilidade do trabalho de BrechtA LenteA Guerra de YuanO Rato Pensador (todos pela Editora Cia. Fagulhawww.ciafagulha.com.br ) e de vários artigos publicados em revistas especializadas. E-mail: editora@ciafagulha.com.br



Conheça do mesmo autor:


Autor: Agenor Bevilacqua Sobrinho
Editora: Cia. Fagulha
ISBN 13:       978-85-68844-00-7
Páginas:       136





WhatsApp.: (011) 95119-8357



Fagulha Entrevista – Patrick Sanches – Crise da Educação em São Paulo - 09 09 2026, às 20h

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