Showing posts with label Heiner Müller. Show all posts
Showing posts with label Heiner Müller. Show all posts

Fagulha compartilha 2 – Artigos, análises, poemas, poesias, resenhas, prefácio - #FagulhaCompartilha

 

Fagulha compartilha 2 – Artigos, análises, poemas, poesias, resenhas, prefácio - #FagulhaCompartilha

  

Editora Cia. Fagulha compartilha 2

 

 

Blog da Cia. Fagulha - https://blogdaciafagulha.blogspot.com/

 

Blog da Cia. Fagulha. Bem-vindxs!

 

Blog do Agenor Bevilacqua Sobrinho - https://agenorbevilacquasobrinho.blogspot.com/

 

 

Educação, Literatura e Política

Dez livros para conhecer o Brasil. Por Antonio Candido

Render-se ou respirar e resistir. Surrendering or to breathe and resist. Danielle do Nascimento Rezera & Agenor Bevilacqua Sobrinho

Enfrentando distopias contemporâneas: por uma disputa contra-hegemônica. Por Danielle do Nascimento Rezera, Agenor Bevilacqua Sobrinho

A educação de crianças e jovens durante a pandemia da covid-19. “Tem alguém aí, ou vamos apenas cumprir tarefas?” Por Danielle do Nascimento Rezera e Raquel Gomes D'Alexandre

Professores, avanços tecnológicos e taxa de sucesso. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

Como funciona a teoria do caos na prática. Parte 1 e 2. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

Mito da caverna. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

Mercenários. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

Moralândia. Capítulo 1. Habitantes de Moralândia alimentam-se de fantasias peculiares. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

Moralândia. Capítulo 2. Partido único e perseguição a dissidentes. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

Moralândia. Capítulo 3. Monarquia teocrática e nazifascista. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

Moralândia. Capítulo 4. A classe dominante. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

Moralândia. Capítulo 5. Deus-Pátria-Família. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

Moralândia. Capítulo 6. A revolta evanjegue está na origem de Moralândia. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

Distorções produtivistas na universidade. Por Maria Sílvia Betti e Eduardo Campos Lima

Literatura, memórias e dramaturgia. Por Maria Sílvia Betti

 

 

Psicanálise

Freud

Psicanálise e Poder: a leitura de Freud do Moisés de Michelangelo. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

 

 

Teatro

Augusto Boal

O IMPULSO E O SALTO: Boal em Nova Iorque (1953-1955). Por Maria Sílvia Betti


Brecht

A respeito de Ensaios sobre Brecht, de Walter Benjamin. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

Bertolt Brecht nos EUA: um refugiado anticapitalista na pátria do capital. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

A Guerra e outros combates. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

Baal, de Bertolt Brecht. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

 

Cia. do Latão

História e luta política em ação: “7 peças” da companhia do Latão, um coletivo contemporâneo de teatro dialético. Por Maria Sílvia Betti

 

Erwin Piscator – Judith Malina

"The Piscator Notebook", de Judith Malina: apontamentos de análise sobre o registro de um processo formativo. Por Maria Sílvia Betti

 

Heiner Müller

Hamlet Ex-Máquina – Apontamentos. Por Maria Sílvia Betti

 

Lehmann

Um teórico posto em questão: o teatro político na abordagem de Hans Thies Lehmann. Por Maria Sílvia Betti


Oduvaldo Viana Filho - Vianinha

Curso Dez vezes Vianinha - Sobre Oduvaldo Vianna Filho. Por Maria Sílvia Betti

Oduvaldo Vianna Filho e a tragédia. Por Maria Sílvia Betti

A longa noite de Cristal, de Oduvaldo Vianna Filho – Montagens de 1970 e 1976

Autoritarismo e luta política na pauta de uma peça fundamental do teatro brasileiro: Papa Highirte, de Oduvaldo Vianna Filho. Por Maria Sílvia Betti

“Papa Highirte”, de Oduvaldo Vianna Filho: apontamentos de análise dramatúrgica. Por Maria Sílvia Betti

Sobre A invasão dos bárbaros e Papa Highirte dirigidos por Tin Urbinatti. Por Maria Sílvia Betti

FFFFFIIIIICCHHHAAAAA TÉCNICA PAPA HIGHIRTE. Por Tin Urbinatti

Programa de Rasga Coração, peça de Oduvaldo Vianna Filho – Montagem Rio de Janeiro – Direção de José Renato

Dois aspectos da atualidade de Rasga coração. Por Maria Sílvia Betti

Rasga Coração: é melhor ler o livro. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

“Rasga Coração”, de Oduvaldo Vianna Filho: Perspectivas formais da representação sócio-histórica. Por Maria Sílvia Betti

Você sabia? Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

Calabar, Rasga Coração e Patética: Três peças em luta contra a censura. Por Maria Sílvia Betti

Entrevista: Maria Silvia Betti fala sobre a publicação de “Rasga Coração” e as peças de Oduvaldo Vianna Filho. Por Fernando Pardal

“Rasga Coração” de Vianinha: um olhar crítico sobre as velhas formas do “novo”. Por Fernando Pardal

Carbono 14 estético. Em busca de dramaturgos essenciais. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho


Tapa e Arena

Tapa e Arena: uma ponte na história. Por Maria Sílvia Betti


Teatro e movimentos sociais

Teatro e movimentos sociais na cidade de São Paulo: um recorte comentado. Por Maria Sílvia Betti


Teatro de figuras alegóricas

Ingrid, Brueghel e o teatro de figuras alegóricas. Por Maria Sílvia Betti

 

 

Teatro estadunidense

Crítica e indicações bibliográficas

Onze livros para o conhecimento do teatro estadunidense no Brasil. Por Maria Sílvia Betti

Leituras críticas de dramaturgia moderna. Críticos estadunidenses fundamentais (Gassner, Bentley e Carlson). Por Maria Sílvia Betti


Arthur Miller

Dois pequenos textos sobre o teatro de Arthur Miller. Por Maria Sílvia Betti


Bread & Puppet

Bread & Puppet Theater, radicalismo e história. Por Mayumi D. S. Ilari


Edward Albee

Quem tem medo de Virginia Woolf? De Edward Albee. Breves observações de análise. Por Maria Sílvia Betti


Lillian Helman

Lillian Hellman: marco do teatro estadunidense moderno no século XX. Por Maria Sílvia Betti


Tennessee Williams

A Catástrofe do Sucesso - Tennessee Williams - On A Streetcar Named Success - by Tennessee Williams

 

 

Poemas / Poesias e outros escritos

O Tempo. Por Agenor Bevilacqua Sobrinho

A lenda do soldado morto – Bertolt Brecht

Aos que vão nascer. Bertolt Brecht

Aquele que duvida – Bertolt Brecht

Mau tempo para a juventude – Bertolt Brecht

Cinco maneiras de dizer a verdade. Bertolt Brecht

 

 

Resenhas / Prefácio

RESENHA do livro “O RATO PENSADOR”, por Maria Sílvia Betti

A Guerra de Yuan, de Agenor Bevilacqua Sobrinho. Prefácio de Mayumi Denise Senoi Ilari – FFLCH-USP

Teorias do teatro - estudo histórico-crítico dos gregos à atualidade - Marvin Carlson. Inventário do pensamento teatral - Resenha de Maria Sílvia Betti

Resenha de “Panorama do Rio Vermelho. Ensaios sobre teatro norte-americano moderno”. Iná Camargo Costa. São Paulo, Nankin Editorial, 2001. Por Maria Sílvia Betti

 

 

Confira também:

Fagulha compartilha 1 - Textos, vídeos de cursos e entrevistas

https://blogdaciafagulha.blogspot.com/2021/12/fagulha-compartilha-textos-videos-de.html

#FagulhaCompartilha

 

 

Apoio à Editora Cia. Fagulha:

Para oferecermos constantemente novos materiais (cursos, vídeos, artigos, entrevistas etc.), você pode apoiar-nos com qualquer quantia pela Chave PIX: editora@ciafagulha.com.br

 

Inscreva-se no canal.

 

Curta o vídeo.

 

Quaisquer dúvidas, a equipe da Editora Cia. Fagulha está à disposição

para quaisquer esclarecimentos:

 editora@ciafagulha.com.br

 

www.ciafagulha.com.br

 

Ingrid, Brueghel e o teatro de figuras alegóricas. Por Maria Sílvia Betti


Ingrid, Brueghel e o teatro de figuras alegóricas [1]. Por Maria Sílvia Betti [2]


Landscape with the fall of Icarus.

Paisagem com a queda de Ícaro.



De acordo com Brueghel
quando Ícaro caiu
era primavera

um fazendeiro arava
seu campo
o esplendor inteiro

do ano
acordara formigando
perto

da beira do mar
concentrado
em si mesmo

suando ao sol
que derreteu
a cera das asas

desapercebido
perto da orla
deu-se

um inaudível mergulho
era Ícaro
se afogando 

(Paisagem com a queda de Ícaro, tradução da autora) [3]




Em 1962 o poeta estadunidense William Carlos Williams [1883-1963] publicou o poema acima, Landscape with the fall of Icarus, que originalmente integrava uma série intitulada Pictures from Brueghel and Other Poems [4]. No texto Williams evocava o quadro de Brueghel [5] de título homônimo, assinalando a continuidade imperturbável e ininterrupta da vida, que não se crispava e nem se suspendia diante da queda de Ícaro [6]. Dele, na tela, apenas as pernas podiam ser vislumbradas num pequeno e quase imperceptível mergulho no canto direito inferior.

Ao contrário da composição pictórica de outros pintores, que antes e depois de Brueghel também trataram do tema, o mestre flamengo configurou seu quadro como um desafio ao olhar de quem o observa: a menção ao personagem mítico e sua queda condiciona o olhar a percorrer a tela ponto a ponto à procura da imagem. Esta é laboriosamente localizada, por fim, em posição secundária e sem destaque. Não há nela qualquer grandiosidade ou centralidade: a queda, na verdade, já ocorreu, e apenas o perscrutador atento conseguirá se dar conta de que, em meio ao esplendor da natureza e à continuidade da labuta do lavrador, o personagem lendário caiu sem impacto heroico e já foi parcialmente engolido pelo mar. A materialidade da subsistência prevalece e a pujança cromática da cena, num grande plano aberto, permite que se veja não só o camponês com seu arado, mas também o mar, barcos navegando e o horizonte em que o céu e as águas se encontram. Ícaro está sendo tragado pelas ondas, mas esse é apenas um flash momentâneo, pois tudo o mais, na sequência, seguirá seu rumo, numa celebração implícita e processual de tudo o que, ao contrário de Ícaro, permanece e vive.

A pintura de Brueghel é referência conceitual importante dentro do trabalho artístico e pedagógico de Ingrid Dormien Koudela. Poucos outros pesquisadores e formadores na área de estudos de teatro terão conseguido fazer uso tão consistente e tão funcional de uma referência como ela nas sucessivas abordagens que faz, em seus escritos teóricos e suas práticas pedagógicas, do repertório de procedimentos compositivos e de imagens do pintor.

Ingrid interessa-se por Brueghel por encontrar em seus quadros e gravuras elementos condizentes com o uso teatral de figuras alegóricas, não psicologizadas e não inseridas em narrativas apoiadas em relações de causa e efeito. Interessam-lhe os processos associativos sugeridos a partir de imagens, e interessa-lhe criar uma motivação lúdica que articule as camadas de imagens represadas no consciente e no subconsciente de quem as contempla. Brueghel proporciona a Ingrid estímulos significativos para ativar todos estes elementos de percepção, e estes são o fundamento do teatro de figuras alegóricas que tanto a apaixona. Tal como na pintura do artista, os elementos figurados devem, para ela, ser desierarquizados entre si: o procedimento narrativo é inerente ao próprio ato da perscrutação e inseparável dele. Como no quadro ao qual alude o poeta Williams, é a percepção que irá atuar como desencadeadora potencial dos mecanismos associativos.

O papel das imagens dentro da concepção bruegheliana de Ingrid é central, e a decifração delas pode trazer potencialmente consigo a possibilidade brechtiana do estranhamento. Estranhar liga-se estreitamente a historicizar, e é do estudo brechtiano intitulado O efeito de estranhamento nas pinturas narrativas de Peter Brüghel [7], o Velho, que Ingrid extrai a ideia da transitoriedade das pessoas e dos processos como elementos capazes de induzir percepções historicizadoras dentro desse teatro de figuras alegóricas que preconiza. Esse mesmo estudo de Brecht fornece-lhe, como ela própria ressalta, elementos capazes de alimentar a invenção pantomímica, inspiradora em potencial do gestus e elemento imprescindível da poética cênica brechtiana.

O material pictórico de Brueghel ilumina, paralelamente, uma outra faceta conceitual central do teatro de que trata Ingrid: a do chamado pós-dramático tal como entendido pelo teórico Hans Thies Lehmann [8] e praticado pelo dramaturgo Heiner Müller [9]. Contemplados a partir da perspectiva deles, os quadros e gravuras de Brueghel são compatíveis com a figuração cênica de uma realidade vista como fragmentária, inconclusiva e povoada de impossibilidades.

As cenas pictoricamente retratadas nas telas e gravuras brueghelianas desencadeiam estímulos para a imaginação alegorizante, para mecanismos associativos, para a expressão e a percepção de realidades autônomas dotadas de regularidades espaciais e temporais próprias, e que com isso criam um trânsito lúdico entre as camadas do consciente e do subconsciente. Fragmentos extraídos da cultura popular e do imaginário medievais povoam o espaço cênico com ruínas diversas, com figuras despsicologizadas, com estímulos perceptivos de amplo espectro.

Não se caracteriza com isso nenhuma forma de práxis, como observa Ingrid, e nem se articula uma linha de trabalho disposta a agir sobre as consciências ou a politizá-las: cria-se, porém, um campo diversificado e múltiplo de instauração cênica no plano do subconsciente, flagrado em sua relação com o pensar conceitual. No espaço potencial assim constituído, Ingrid vislumbra a latência de processos de criação e percepção em que o político, em alguma medida, está latente e pode potencialmente encontrar força para se manifestar. É do material pictórico de Brueghel que ela extrai o repertório processual e figurativo com que fundamenta, com tanta paixão e consistência, a proposta de um teatro de figuras alegóricas.



BIBLIOGRAFIA

KOUDELA, Ingrid. A cidade como alegoria. Disponível em: <http://seer.unirio.br/index.php/opercevejoonline/article/view/526/468>. Acesso em: 20 nov. 2019.

_______. Leitura das pinturas narrativas de Peter Brüghel, o velho. Ingrid Koudela (ECA/USP) IV Reunião Científica de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas. GT: Pedagogia do Teatro & Teatro na Educação.

_______. Teatro de figuras Alegóricas. Universidade de São Paulo/UNISO – Universidade de Sorocaba
Palavras-chave: encenação contemporânea; pedagogia do espectador

WILLIAMS, William Carlos. Collected Poems: 1939-1962, Volume II, New Directions Publishing Corp. 1962.








[1] Este artigo é a versão revista do texto Ingrid, Brueghel e o Teatro de figuras alegóricas (originalmente publicado em Ingrid Koudela: o Teatro como alegoria.Org. Igor Almeida, SESC, 2018).

[2] Maria Sílvia Betti é Professora Livre Docente do Departamento de Letras Modernas da FFLCH-USP, Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês. Orienta também no Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP.


Livros:

Autora de Dramaturgia Comparada Estados Unidos/Brasil. Três estudos (Cia. Fagulha, 2017 – www.ciafagulha.com.br), Oduvaldo Vianna Filho (EDUSP/FAPESP, 1997).


* Tradutora de O método Brecht, de Fredric Jameson (Vozes, 1998), depois relançado em edição revista com o título Brecht e a questão do método (Cosac & Naifiy), 2013. 
* Organizadora, prefaciadora e autora dos textos de apresentação de Rasga Coração (Temporal, 2018) e Papa Highirte (Temporal, 2019), ambos de Oduvaldo Vianna Filho. 
* Organizadora e prefaciadora de Patriotas e traidores. Escritos anti-imperialistas de Mark Twain (Fundação Perseu Abramo, 2003), O Povo do Abismo. Fome e miséria no coração do Império Britânico, de Jack London (Fundação Perseu Abramo, 2004). 
* Prefaciadora de Mr. Paradise e outras peças em um ato (´É Realizações, 2011) e 27 Carros de algodão e outras peças em um ato (É Realizações, 2013) ambos de Tennessee Williams. 


Artigos recentes:

* Teatro e movimentos sociais na cidade de São Paulo: um recorte comentado. (In Blog da Cia. Fagulha). Disponível em: <https://blogdaciafagulha.blogspot.com/>.

* O impulso e o salto: Boal em Nova Iorque (1953-1955). (In Blog da Cia. Fagulha).


* Papa Highirte, de Oduvaldo Vianna Filho: apontamentos de análise dramatúrgica (In Blog da Cia. Fagulha). Disponível em: <https://blogdaciafagulha.blogspot.com/2019/01/papa-highirte-de-oduvaldo-vianna-filho.html>.


[3] Texto original disponível em: <http://www.english.emory.edu/classes/paintings&poems/williams.html>. Acesso em: 20 nov. 2019. Landscape with the fall of Icarus:

According to Brueghel
when Icarus fell
it was spring

a farmer was ploughing
his field
the whole pageantry

of the year was
awake tingling
with itself

sweating in the sun
that melted
the wings' wax

unsignificantly
off the coast
there was

a splash quite unnoticed
this was
Icarus drowning

[4] Pinturas de Brueghel e outros poemas.

[5] Pieter Brueghel, o Velho. Pintor e gravurista flamengo. [Nascimento entre 1525 e 1530 (data incerta), e falecimento em 1569].

[6] Personagem da mitologia grega conhecido por sua tentativa de deixar a ilha de Creta voando com asas de cera, tentativa que culminou com sua queda e morte nas águas do mar Egeu.

[7] Esta foi a grafia utilizada neste texto.

[8] [1944-]. Crítico e estudioso alemão de Teatro e Dramaturgia, autor de Teatro pós-dramático, publicado na Alemanha em 1999 e no Brasil em 2008: Teatro pós-dramático. Tradução de Pedro Süssekind. Apresentação de Sérgio de Carvalho. São Paulo: Cosac & Naify.

[9] [1929-1995]. Dramaturgo alemão autor de “Hamletmáquina”, “Medeamaterial”, “A missão” e “Quarteto”, entre outros trabalhos.



*****


Conheça também:

de Maria Sílvia Betti (organizadora da coleção Oduvaldo Vianna Filho pela Editora Temporal)

Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil: Três estudos
Autora: Maria Sílvia Betti
Editora: Cia. Fagulha
ISBN 13:       978-85-68844-03-8
Páginas:       360



Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil: Três estudos – Maria Sílvia Betti



e-mail: 
editora@ciafagulha.com.br

WhatsApp: (11) 95119-8357

www.ciafagulha.com.br

Hamlet Ex-Máquina – Apontamentos. Por Maria Sílvia Betti


Hamlet Ex-Máquina – Apontamentos. Por Maria Sílvia Betti



As perspectivas mais amplamente disseminadas de entendimento do teatro contemporâneo apoiam-se num diagnóstico de superação de todas as poéticas dispostas a estabelecer conexões, analisar perspectivas de conjunto e historicizar a relação do teatro com a matéria sociopolítica por meio dele representada.
Resistência, conceito norteador de Hamlet ex-máquina, do 42 Coletivo de Teatro, pressupõe, precisamente, algo situado no polo oposto a esse, pois seu trabalho remete a um nível de materialidade sócio-histórica enxergada em termos de uma perspectiva totalizante.
No espetáculo fica subentendida em vários momentos e aflora explicitamente em outros, a ideia de que os atores, a direção e todos os proponentes do espetáculo adotam, como artistas e como criadores, um empenho inequivocamente totalizante e historicizador, com muitas remissões a um contexto político expresso em cena por imagens identificáveis como pertencentes a processos contemporâneos de desarticulação dos direitos, e de exploração e alienação do ser humano, seja no contexto da cidade como no do país.
Ao lançar mão do texto de Heiner Müller e por meio dele invocar o entrelaçamento intertextual com Shakespeare, o 42 Coletivo de Teatro procura, precisamente, a construção de um olhar crítico para esse presente sócio-histórico, e assume seu trabalho como um ato de resistência.
Resistir, dentro do repertório cultural e da história política recente de que todos nós somos diretamente herdeiros no contexto do Brasil, nos coloca diante de várias ilações: se falamos em resistência, estamos nos colocando como integrantes de uma sociedade que está sendo alvo de forças que a desarticulam, que a desagregam em sua inteireza, que a alienam e que a expropriam diante de si própria.
Nos anos da ditadura, quando o teatro se constituiu como o setor mais prontamente articulado diante das forças do golpe de 1964, isso se deu por meio de expedientes de criação e de expressão que lançavam mão da metáfora como recurso de remissão implícita a conteúdos vetados pela repressão e pela censura.
No contexto que compartilhamos no presente, como espectadores e interlocutores do 42 Coletivo de Teatro, as imagens e interações cênicas do espetáculo constituem, em larga medida, alegorizações cênicas associativas. Hamlet ex-máquina faz, assim, movimentações tanto de convergência na direção do texto de Heiner Müller como de afastamento dele, e configura um conjunto de estímulos que parece nos dizer: “aqui estamos nós, coletivo de trabalhadores e de estudantes do teatro, e nosso espetáculo, ao procurar fundamento no eixo da resistência, não endossa a fragmentação pós-moderna, as hiperteorizações narcísicas, e nem se desgarra do tecido vivo e acidentado de relações e das lutas que constituem o nosso tempo e a nossa história”.
Assim sendo, não é no plano da desmontagem e da desconfiguração das forças históricas de trabalho e de pensamento que o espetáculo Hamlet ex- máquina vai buscar seu arsenal de sentidos e seus expedientes figurativos. Ele os procura, precisamente, na postura assumidamente resistente que confere a seu espetáculo. Dentro do fragmentado chão hegemônico do discurso pós-moderno, o Hamlet mülleriano do Coletivo 42 se destaca, assim, como espinha dorsal de um espetáculo que diz: “nosso trabalho responde à necessidade que sentimos de pensar e de resistir diante de todo o processo histórico da sociedade e do tempo em que vivemos e atuamos”.


*****


Confira também:



*****


Conheça também:

de Maria Sílvia Betti (organizadora da edição de Rasga Coração)

Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil: Três estudos
Autora: Maria Sílvia Betti
Editora: Cia. Fagulha
ISBN 13:       978-85-68844-03-8
Páginas:       360




Dramaturgia Comparada Estados Unidos / Brasil: Três estudos – Maria Sílvia Betti




Tel.: (011) 3492-3797



16 de julho - 52 anos da morte de Oduvaldo Vianna Filho, dramaturgo fundamental do teatro brasileiro no século XX. Por Maria Sílvia Betti

  16 de julho: 52 anos da morte de Oduvaldo Vianna Filho,  dramaturgo fundamental do teatro brasileiro no século XX. Por Maria Sílvia Betti ...

Postagens populares